Mulheres denunciam cardiologista por crimes sexuais no Ceará: 'começou a me beijar'

Segundo hospital, profissional está afastado após denúncias de crimes sexuais desde o dia 25 de outubro - Foto: Getty Images
Segundo hospital, profissional está afastado após denúncias de crimes sexuais desde o dia 25 de outubro - Foto: Getty Images

Um médico cardiologista foi denunciado por supostos crimes sexuais contra duas mulheres em Barbalha, na região do Cariri do Ceará. A Secretaria de Segurança Pública informou que a Delegacia Municipal de Barbalha investiga o caso.

As duas mulheres registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil, sobre os supostos crimes. As vítimas conversaram com a TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará.

Uma delas, de 33 anos, relatou que, durante o atendimento, o médico trancou a porta do consultório e começou a fazer perguntas sobre sexo. De acordo com ela, o cardiologista disse “que iria arrumar um namorado para ela”.

Ainda segundo a vítima, o médico pediu para que ela subisse na maca, e que desabotoasse a calça; após isso, ele abriu o zíper e tocou na genitália dela.

Neste momento, a paciente afirma que retirou a mão dele. O médico voltou para a cadeira de atendimento, depois destravou a porta e liberou a paciente.

O caso teria acontecido à Policlínica de Barbalha em março deste ano e foi registrado em boletim de ocorrência no mês de outubro.

"Nunca imaginei que ia passar por uma situação dessas. Na hora, você fica sem reação. Espero justiça e que ele se afaste do cargo, para que não faça com outras pessoas o que ele fez comigo", afirma a vítima.

A outra vítima, é uma ex-colega de trabalho do médico, que também procurou a Polícia Civil para denunciar o profissional.

Neste caso, a médica afirma que ambos trabalharam juntos no Hospital do Coração do Cariri, em Barbalha.

Segundo relatos da vítima, desde quando o cardiologista descobriu que ela estava solteira, começou a mandar mensagens pelo celular, até que, durante um plantão no hospital, em um momento de descanso, a vítima diz ter sido assediada.

"Eu estava lá no repouso, com as luzes apagadas, ele abriu a porta, não ligou a luz e foi direto para a cama. Ele deitou do meu lado e me abraçou, começou a beijar meu rosto. Eu, sem entender nada, coloquei a mão pro lado e perguntei se ele estava ficando doido. Ele saiu e eu fiquei meio atordoada sem saber o que tinha acontecido", afirma a profissional.

Após o episódio, a médica diz que procurou a direção do hospital, mas que nada foi feito em relação ao que aconteceu na sala que os profissionais usam para descansar.

"Assim que eu registrei o boletim, eu comuniquei para a direção do hospital. Quando fiquei sabendo que tinha mais casos, continuei comunicando. E ele continuava trabalhando lá normalmente. A tendência das pessoas é normalizar isso, eu que não fui dura o suficiente? Isso é um absurdo. E eu quero que outras mulheres tenham coragem para falar", afirma.

No entanto, o Hospital informou que a direção só tomou conhecimento do caso em outubro deste ano e que o suposto crime foi praticado em 2021. Disse ainda que foi instaurado um processo administrativo e que o profissional está afastado das atividades desde 25 de outubro.