Mulheres devem chefiar embaixadas do Brasil em Washington e Buenos Aires pela 1ª vez

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez, duas das mais importantes embaixadas para a política externa brasileira, Washington e Buenos Aires, devem ser chefiadas por mulheres. Maria Luiza Viotti, que foi representante do Brasil na ONU e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, deve ser a embaixadora nos EUA.

Para a Argentina, as mais cotadas são Eugênia Barthelmess, hoje embaixadora em Singapura e ex-diretora de América do Sul no Itamaraty, e Gisela Padovan, ex-cônsul em Madri. O martelo ainda não foi batido em relação ao nome, mas a decisão de ter uma mulher à frente da embaixada no país vizinho já foi tomada.

Outro posto cobiçado, a chefia da embaixada em Londres, deve ser ocupado por Antonio Patriota, que foi chanceler no governo Dilma Rousseff (PT) e, antes, embaixador em Washington.

Liderar a representação na capital britânica seria um desagravo a Patriota, que foi alocado no Egito durante a caça às bruxas feita pelo ex-ministro Ernesto Araújo no Itamaraty. O cargo no Cairo não é considerado estratégico e, portanto, não estaria à altura de um ex-ministro.

A notícia sobre a provável escolha de Viotti foi antecipada pela agência de notícias Reuters e confirmada pela reportagem. A confirmação das indicações depende de os países aceitarem os pedidos de agrément (documento diplomático que indica concordância do governo anfitrião) realizados pelo governo brasileiro para os embaixadores. O procedimento é, com raras exceções, apenas uma formalidade.

Colocar embaixadoras à frente de representações diplomáticas cruciais para o Brasil vai ao encontro das promessas do chanceler Mauro Vieira de aumentar o número de mulheres em cargos de liderança. A embaixadora Maria Laura da Rocha foi nomeada secretária-geral do Itamaraty, o segundo cargo mais alto na hierarquia do ministério –também é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo.

Havia pressão de diplomatas mulheres e de setores do PT para a escolha de uma chanceler, mas Vieira, muito próximo do ex-ministro e atual assessor internacional Celso Amorim, acabou sendo o escolhido.

Após o anúncio da indicação, Maria Laura disse à repotagem: "Queremos que o fato de haver mulheres no comando seja algo tão normal quanto ter homens". "Queremos continuar nesse caminho, ter muitas profissionais no topo da carreira, mais mulheres em posições de comando. Vai chegar um momento em que teremos uma ministra das Relações Exteriores, é inevitável."