Mulheres e crianças de 57 países estão em campos de detenção na Síria

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Uma mulher francesa de 25 anos, em 14 de janeiro de 2020, no campo de Al-Hol, no nordeste da Síria, que abriga familiares de membros do Estado Islâmico

Dezenas de milhares de mulheres e crianças de 57 países vivem em campos de detenção miseráveis no nordeste da Síria, afirmou uma especialista das Nações Unidas nesta segunda-feira (8), conclamando essas nações a repatriá-las imediatamente.

Os campos de Al Hol e Roj, sob a administração das forças curdas, abrigam "mais de 64 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças", explicou Fionnuala Ní Aoláin em uma entrevista coletiva virtual de Genebra.

“Essas crianças e essas mulheres vivem em condições que só podem ser descritas como horríveis e subumanas”, acrescentou a relatora especial da ONU para a promoção e proteção dos direitos humanos na luta contra o terrorismo.

Ní Aoláin, que expressou sua preocupação com a tortura e os tratamentos desumanos e degradantes, disse que a "maioria" dessas pessoas é "muito vulnerável" e que a situação de "muitas delas é preocupante" no que diz respeito ao respeito pelos direitos humanos.

“Isso exige que esses Estados ajam de maneira apropriada”, acrescentou, antes de comparar as condições de detenção com as do campo norte-americano de Guantánamo em Cuba.

Entre os países citados pela especialista estão França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, China, Austrália, Índia, Paquistão, Rússia e Turquia. “É a primeira vez que esses 57 países são nomeados juntos”, disse a irlandesa.

Os estrangeiros presentes nesses campos são familiares de jihadistas do grupo Estado Islâmico, enquanto os iraquianos e sírios em sua maioria fugiram de combates com as forças curdas.

A maioria dos países com cidadãos nessas áreas, sobretudo os europeus, reluta em recebê-los. Alguns, como a França, repatriaram um número limitado de crianças órfãs de pais jihadistas.

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