Mulheres e negros 'sem-votos' são maioria entre suspeitas de laranjas nas eleições

Natália Portinari, Daniel Gullino e Victor Farias
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BRASÍLIA — As prestações de contas de candidatos das eleições municipais até agora mostram que, em 2020, candidatos negros e mulheres com pouquíssimos votos receberam quantias volumosas de recursos públicos, reiterando a suspeita do uso de “laranjas” como ocorreu em 2018. A novidade é que homens pardos e pretos, obrigados pela Justiça a receberem uma parcela do fundo eleitoral, também são maioria junto com as mulheres entre os com o voto mais caro e sem resultados nas urnas.

Dos 33 candidatos que receberam mais de R$ 1 mil de verba pública por voto obtido, 21 são mulheres e 8 são homens negros. Considerando apenas quem teve menos de mil votos, homens brancos são apenas 6,8% dos que gastaram mais de R$ 500 por voto.

As declarações ainda estão incompletas e, por isso, ainda não é possível saber a soma total de fundo partidário e eleitoral destinado a candidaturas inexpressivas.

Partidos são obrigados por lei a destinar 30% do fundo eleitoral para candidaturas femininas e uma quantia proporcional ao número de candidaturas de pretos e pardos (cerca de 49% do total de candidatos), conforme determinou o Supremo Tribunal Federal (STF) neste ano.