Mulheres empreendedoras e moradoras do condomínio Península criam grupo de negócios durante a pandemia

O Globo
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RIO —Tudo começou em maio, quando a chef de cozinha Sinta Stepani e a produtora de bijuterias Andreina Lepervanche se conheceram e nasceu a ideia da criação de um grupo de mulheres empreendedoras e moradores do condomínio Península. O objetivo era que cada uma pudesse divulgar o seu negócio, incentivar a compra local, ampliar o network, manter o sustento durante a pandemia e, naturalmente, uma empoderar a outra. Assim foi criado o grupo Wikimeninas, com nome inspirado no site Wikipedia.

— Existe um preconceito de que mulheres não se ajudam, mas nós queremos fazer isso. Buscamos crescer juntas, tanto profissionalmente quanto como pessoas. Nasceram amizades, e a quantidade de serviços de alta qualidade ofertados também só aumenta. Como o Wikipedia é uma enciclopédia virtual em que se acha qualquer coisa, somos o mesmo, só que de serviços — conta Andreina.

Mais de 70 mulheres já fazem parte do Wikimeninas, que está nas redes sociais e tem um folder que está sendo distribuído nos condomínios da região. A idade das integrantes é variada, assim como os serviços oferecidos, que vão desde médicas até boleiras, revendedoras de vinho, agente de viagens e donas de marcas de roupas e bijuterias, entre outros.

— O Península é do tamanho do Leblon, tem cerca de 20 mil moradores. Entendemos que era possível nos unirmos para nos ajudarmos. Tudo aconteceu muito rápido e começou com um grupo de WhatsApp. Agora já estamos no Instagram e Facebook — diz Andreina.

Além de divulgarem os serviços, as integrantes do grupo começaram a consumir os produtos e serviços oferecidos pelas outras empreendedoras. Andreina destaca que em outros países existe uma tendência de incentivar a economia local e que o grupo se inspirou para trazer isso para a Barra. As Wikimeninas também compartilham conhecimento entre elas e promovem lives para estimular as trocas entre os membros. Para participar do grupo não é preciso pagar nenhum tipo de mensalidade; os únicos requisitos são ser mulher, empreendedora e moradora do Península.

Karla Vecchiatti, dona da agência de viagens Garden Turismo desde 2001 no Centro Empresarial BarraShopping, viu o seu negócio familiar e sua fonte de renda serem afetados pela pandemia. Entrou para o Wikimeninas em junho e conseguiu aumentar a divulgação de sua empresa.

— O movimento chegou a zero, hoje já está em 30%. Passei um momento bem complicado, cheguei até a vender o apartamento. Com o grupo, as indicações cresceram e também conseguimos aumentar o nosso alcance, chegar a um número maior de pessoas. Nós trocamos muito. Quando precisamos de algo, recorremos ao grupo. Serve até para pedir indicação de pintor — afirma.

Dona do Studio Magnólia Design Floral, Diennis Xavier não foi tão afetada como Karla durante a pandemia, pelo contrário. Segundo ela, com o cancelamento de eventos devido à quarentena, os preços das flores caíram e aumentou a procura das pessoas pelo produto para enfeitarem suas residências.

— Como as pessoas estavam distantes, também começaram a enviar mais flores umas para as outras. Entrei para o Wikimeninas logo no início, e mais gente passou a conhecer o meu trabalho. Foi agradável ampliar o network, mas o que mudou para mim é que agora eu sinto que pertenço a uma comunidade. Unimos nossas forças — opina.

Helida Chedid, dona do ateliê de moda e design La Piêce, com sede no O2, abriu o seu empreendimento em novembro de 2019, com uma amiga. A empresa tinha apenas três meses quando a pandemia teve início. A divulgação no Wikimeninas ajudou.

— Conseguimos um grupo de clientes que é muito fiel, mas também ganhamos muitas amigas que também compram conosco. Agora, estamos distribuindo os folders em outros condomínios, e acredito que os negócios de todas as integrantes vão crescer ainda mais, teremos mais alcance e visibilidade. Nós nos tornamos mulheres empoderadas que estão mais satisfeitas com o reconhecimento que temos pelo nosso trabalho. É gratificante — diz Helida.

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