Mulheres estão mais isoladas e preocupadas com coronavírus, mostra Datafolha

ANGELA PINHO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As mulheres estão mais isoladas e demonstram maior preocupação com a crise do coronavírus, revela pesquisa Datafolha.

Elas também declaram maior rejeição ao presidente Jair Bolsonaro, que em diversas ocasiões minimizou a gravidade da pandemia.

O levantamento foi feito nesta segunda-feira (27) por telefone, para evitar contato pessoal, com 1.503 brasileiros adultos com celular em todos os estados do país. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Entre as entrevistadas, 60% dizem que só estão saindo de casa só quando é inevitável, e 20%, que não saem de jeito nenhum. Entre eles, a proporção é de 46% e 13%, respectivamente.

Também é maior entre as mulheres a parcela dos que acham que o brasileiro está menos preocupado do que deveria com a pandemia. Manifestam essa percepção 61% das entrevistadas contra 51% dos homens.

Não por acaso, elas sobressaem novamente na defesa da saúde em detrimento da economia no atual momento, embora essa posição seja majoritária em todos os estratos de gênero, idade e escolaridade.

Para 71% das mulheres, o mais importante agora é manter as pessoas em casa para impedir que o coronavírus se espalhe, mesmo que isso prejudique a economia e cause desemprego. Entre os homens, a proporção é de 63%.

Estudos recentes indicam que a crise do coronavírus tem impactado de forma diferente homens e mulheres e podem ampliar a desigualdade de gênero.

Nos Estados Unidos, pesquisa da Kaiser Family Foundation mostrou que, no meio de março, quando a pandemia ainda não havia chegado em seu pico em diversos países do mundo, 36% delas reportavam impacto em sua saúde mental ante 27% dos homens.

Novo levantamento feito duas semanas depois mostrou que a diferença mais do que dobrou: 53% delas afirmaram que tiveram o emocional abalado de alguma forma no fim de março, enquanto 37% dos homens tiveram a mesma percepção.

Analistas avaliam que contribui para isso a divisão desigual de atividades domésticas e a supressão da rede de apoio para o cuidado das crianças, com o fechamento de escolas e o afastamento dos avós.

No Brasil, outro estudo prevê que a crise do coronavírus deverá acentuar a desigualdades no mercado de trabalho entre homens e mulheres e entre brancos e negros.

Isso porque a crise pegou os dois grupos com vínculos de emprego mais instáveis ou em atividades econômicas mais afetadas pelo avanço da Covid-19.

Além da preocupação e do grau de isolamento, a pesquisa Datafolha também revela uma diferença de gênero significativa na avaliação do governo Bolsonaro e na desconfiança em relação às declarações do presidente, o que reflete em parte o cenário pré-eleitoral de 2018.

Entre elas, 28% avaliam a gestão do presidente como ótima ou boa, e 43% como ruim ou péssima. Entre os homens, os índices são de 40% e 33%, respectivamente.

A credibilidade das declarações de Bolsonaro e sua capacidade de liderar o país também são vistas de forma diferente pelos dois gêneros.

Enquanto 27% dos homens afirmam sempre confiar no que diz o presidente, apenas 16% das mulheres manifestam a mesma percepção.

A maioria delas (54%) avalia que Bolsonaro não tem capacidade de liderar o Brasil, ante 44% deles. Em relação à possibilidades de afastamento, 49% delas apoiam a abertura de um processo de impeachment, comparado a apenas 42% deles. Quando a pergunta é sobre apoio a uma renúncia, 50% delas se dizem favoráveis, ante 41% deles.

A diferença entre a avaliação do governo por homens e mulheres atingiu o maior número da série: 12 pontos de diferença entre os que acham a gestão boa ou ótima e 10 entre os que acham ruim ou péssima.