Mulheres ganham destaque na cultura sneaker ao consumir, colecionar e produzir conteúdo sobre tênis

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O culto aos tênis, na forma de admiração, consumo e coleção, desde as décadas de 1970 e 1980, sempre foi predominantemente masculino. Nos últimos anos, porém, esse cenário mudou. O público feminino está não só comprando, mas principalmente produzindo conteúdo ou empreendendo no setor. Sneakerheads (nome dado às amantes dos pisantes) brasileiras como Maíra Botelho, Rafaella Vanni e Karem Keiko mostram que a cultura sneaker é coisa de menina, sim.

E elas não querem apenas os modelos fofinhos, em tons pastel. Por isso encontram inúmeros desafios na hora da compra, desde problemas com grades de numeração até a falta de inclusão no processo criativo e em cargos de liderança de grandes marcas. Isso sem falar da necessidade constante de provar conhecimento sobre o assunto. “A todo momento nos testam para ver se sabemos o nome do modelo ou a cor do tênis”, reclama a designer carioca Maíra Botelho, de 36 anos, fundadora da marca de customização Pimp My Sneakers e uma das vozes mais respeitadas no meio.

De commodities a ícones culturais, sneakers também passaram a ganhar uma legião de colecionadoras, como é o caso da ilustradora curitibana Rafaella Vanni, de 28 anos. Sua especialidade são as silhuetas Air Max da Nike, cuja coleção já soma 93 pares. Para ela, a busca por uma cultura sneaker mais democrática requer escuta ativa do público feminino. “O primeiro passo seria as marcas pararem de dividir tamanho e silhuetas por gênero. Assim como um homem pode usar tons pastel, uma mulher também pode usar um modelo definido como masculino”, afirma.

De acordo com relatório do NPD Group Inc., de 2017, o setor de sneakers feminino ultrapassou os segmentos masculino e infantil, representando 40% das vendas e faturando US$ 2,3 bilhões por ano, nos EUA. Já a expectativa para o mercado de tênis como um todo até 2025 é de atingir US$ 95,14 bilhões de dólares, o que representa um crescimento anual de 5,1%, segundo pesquisa do Grand View Research Inc.

Além da crescente expansão, marcas também passaram a trazer figuras femininas para serem as cabeças pensantes de colaborações. Na Nike, a fundadora da etiqueta Ambush, Yoon Ahn, e a diretora criativa da Sacai, Citose Abe, assinaram silhuetas de sucesso. Já a Jordan convidou a estilista Melody Ehsani e a modelo e influencer Aleali May para colaborações. Enquanto isso, estrelas da música como Rihanna e Beyoncé seguem esgotando suas coleções para a Puma e Adidas, respectivamente. “Os tênis viraram moda porque a sociedade começou a usá-los junto com looks urbanos pelo conforto e por imprimir jovialidade. Logo, o mercado assimilou esse desejo”, afirma Manu Carvalho, stylist e consultora de moda. “A vida contemporânea tende a prolongar ao máximo essa tendência e a pandemia só vem reforçar ainda mais.”

Jornalista e produtora de conteúdo sobre sneakers e moda de rua, a paulista Karem Keiko, de 22 anos, começou a se aprofundar no assunto em 2012, e hoje compartilha o conhecimento de forma educativa em seu canal do YouTube e Instagram. “Percebi que havia muita gente que se interessava pelo assunto, mas não tinha a quem perguntar”, conta Karem. Agora, tem.

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