Mulheres, jovens e pessoas de baixa renda foram os grupos que mais se endividaram em 2022, mostra CNC

Mulheres, jovens, pessoas de baixa renda e com Ensino Médio incompleto são o retrato do endividamento no país — entre as mulheres, quase oito em cada dez (79,5%) tinham dívidas a pagar no ano passado. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de 2022.

Os dados foram levantados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgados nesta quinta-feira (dia 19).

O recorde com o perfil dos endividados por gênero, idade, instrução e renda familiar, feito pela pesquisa, mostra que quase oito em cada dez brasileiros com dívidas se identificam como mulheres (79,5%), têm menos de 35 anos (78,1%), não concluíram o Ensino Médio (78%) e têm renda familiar inferior a dez salários mínimos (78,9%).

Na avaliação da economista responsável pelo levantamento, Izis Ferreira, há prevalência desses grupos entre os endividados em função da distribuição populacional — as mulheres representam 52% da população, segundo o IBGE — e dos efeitos da inflação, da alta taxa de juros e do nível de desemprego, que afetam principalmente os mais pobres e os mais jovens.

Cartão de crédito lidera

Entre as modalidades de contração de dívida mais usadas, o cartão de crédito fica à frente na maior parte dos segmentos mais afetadas. A forma é a mais comum entre mulheres (88,1%), jovens com menos de 35 anos (88%) e que não concluíram o Ensino Médio (86,7%), mas também foi a principal opção entre os mais ricos, que têm rendimento mensal superior a dez salários mínimos (88,1%).

Por outro lado, o carnê de loja, segunda maior forma de contração de dívida entre os brasileiros e que voltou a ganhar espaço com a criação de sistemas de pagamento próprios das varejistas, é mais usado pela parcela mais pobre da população (19,4%), contra 16,6% dos mais ricos. Mulheres (19%), pessoas mais velhas (20%) e que não concluíram o Ensino Médio (20,1%) estão entre os grupos que mais usam a modalidade.

Mulheres e mais pobres lideram inadimplência

Mulheres, mais pobres e que não concluíram o Ensino Médio também estão entre os brasileiros que têm mais dívidas atrasadas, ou seja, estão inadimplentes. Mais de três em cada dez pessoas com menos de 10 salários mínimos (32,3%) e que não tem Ensino Médio completo (31,2%) não conseguiram honrar com o pagamento de dívidas dentro do prazo em 2022. E 29,6% das mulheres endividadas estão com o pagamento atrasado, percentual similar à parcela dos mais velhos que passam pela mesma situação — 29,3%.

A maior diferença entre os grupos, no entanto, está na faixa de renda. A parcela de pessoas com dívidas em atraso é 2,5 vezes maior entre os mais pobres (32,3%) que entre os mais ricos, em que pouco mais de um a cada dez endividados que recebem mais de dez salários mínimos tem pagamentos atradados (13,3%).