Mulheres lideram rebelião robótica em segundo ano de 'Westworld'

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Mulheres lideram rebelião robótica em segundo ano de 'Westworld'

Mulheres lideram rebelião robótica em segundo ano de 'Westworld'

RODRIGO SALEM

LOS ANGELES, EUA (FOLHAPRESS) - Não tente pedir nenhum spoiler da segunda temporada de "Westworld" para Evan Rachel Wood, protagonista da série da HBO que reestreia neste domingo (22), às 22h. "É para seu bem", garante a atriz que interpreta uma robô que simula o estereótipo de dama em perigo de faroeste, mas vira a líder de uma rebelião violenta e feminista neste ano.

"Acredite, se te contar todos os detalhes, você ficaria tão perturbado que iria para a varanda deste quarto fumar um cigarro. Eu tive uma crise existencial depois de ler o roteiro."

A atriz que ficou conhecida pelo papel em "Aos Treze" (2003), mas nunca pulou para o primeiro time de Hollywood, sabe vender os segredos da trama criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy, mas parece realmente acreditar na ousadia do programa.

"A temporada fala sobre assuntos que nunca foram explorados de verdade na televisão. Baseado em uma realidade sobre a qual não estamos pensando neste momento, mas que está surgindo no horizonte e nosso cérebro ainda não consegue perceber", filosofa.

O que é possível perceber é que "Westworld" finalmente começa a passar a mensagem de rebelião feminista.

Isso depois de uma temporada inteira chocando os espectadores com imagens de abuso sexual e violência cometidos contra algumas "anfitriãs", robôs que servem de alvo para os desejos mais obscuros ou libidinosos dos "hóspedes" que pagaram o ingresso para se divertirem no parque.

"Acrescentamos mais peso à temporada por causa do ano que tivemos fora das filmagens", explica ela, referindo-se aos inúmeros casos de estupro e abusos revelados em Hollywood, ano passado.

"Foi uma sincronia bizarra, porque a vida estava imitando a arte. Foi pesado para mim e Tandy [Thandie Newton, sua colega de set], porque víamos a série como algo maior e tocando num assunto que gostaríamos de jogar para a percepção de todo mundo", diz Rachel Wood, que discursou, ano passado, diante do congresso americano revelando ter sido estuprada e abusada quando mais jovem.

"Não há um dia que não ouço a voz daquele homem sussurrando no meu ouvido que 'tudo vai ficar bem'", disse ela na tentativa de reforçar os direitos das sobreviventes de abusos nos EUA.

Assim como a rebelião das mulheres robóticas na série, Rachel Wood crê que as mudanças não acontecerão "do dia para a noite". "Estava com muito medo do depoimento, pois carregava tanta vergonha em mim e achava que as pessoas ouviriam minha história e falariam que sou perturbada ou que seria culpa minha. Mas o apoio foi incrível e é ótimo não me sentir mais sozinha. Não me importo mais e quero lutar", exalta a atriz.

Em "Westworld", a atitude é a mesma. De arma na mão, o tempo de sofrimento acabou. Ela entra no mundo real, enquanto a personagem de Newton, ao lado de Rodrigo Santoro, parte em busca da filha em outros parques -inclusive um oriental, batizado de "Shogun". É hora da vingança e de descobertas que deixarão o espectador divagando sobre suas intenções.

"É engraçado, porque eu murmurava o tema de Darth Vader quando caminhava no set", lembra Rachel Wood. "Dolores entra em cena e todo mundo presta atenção, porque é ela que está causando o caos. Nunca tinha interpretado uma general comandando um Exército na guerra. Foi divertido".