Mulheres e minorias, as novas apostas eleitorais dos democratas

Por Elodie CUZIN
A candidata democrata ao governo do estado da Geórgia, Stacey Abrams, comemora a vitória nas primárias democratas em Atlanta, 22 de maio de 2018

Os democratas elegeram duas mulheres - uma negra e outra hispânica - como candidatas do partido para governar Geórgia e Texas, duas apostas históricas nos Estados Unidos, onde o impulso popular empurra a oposição a apresentar uma face nova, rica em minorias para as eleições de meio de mandato, em novembro.

"Estamos escrevendo o próximo capítulo da história da Geórgia, onde ninguém é invisível, ninguém é ignorado", disse Stacey Abrams à multidão na noite de terça-feira, após sua esmagadora vitória nas primárias democratas deste estado do sul, profundamente marcado por sua história escravocrata.

Lembrando, aos 44 anos, seu passado "como uma menina negra que às vezes não tinha nem eletricidade, nem água corrente", ela saudou o apoio de "comunidades que frequentemente são ignoradas" e "cujos valores nunca se expressam.

Quase ao mesmo tempo, em outro estado conservador, o Texas, Lupe Valdez também comemorava uma vitória sem precedentes nas primárias democratas. Ela é a primeira candidata hispânica, abertamente homossexual, a disputar o assento de governador.

O senador e ativista George Tapei a descreveu a título de brincadeira como "o pior pesadelo" de Donald Trump.

Ex-xerife de Dallas, de 70 anos, Valdez enfrentará o governador republicano Greg Abbott, que conta com um orçamento folgado para sua campanha - um desafio que parece quase impossível para esta candidata de exíguos recursos, mas que não se intimida.

"Não paro de ouvir que vai ser uma briga difícil (...) Por favor, contem-me quando não tive que vencer uma briga difícil", brincou na terça-feira, perante os seguidores.

No mesmo estado, Gina Ortiz, ex-combatente de origem filipina, já ganhou nas primárias democratas o direito a disputar em novembro um assento na Câmara dos Representantes. Se conseguir, se tornará a primeira lésbica e a primeiro filipino-americana a representar o Texas no Congresso.

Antes dela, uma indígena americana de 30 anos, Paulette Jordan, derrotou há pouco um septuagenário branco na corrida democrata para se tornar governadora de Idaho. E na Pensilvânia, sete mulheres democratas ganharam nas primárias para se candidatar à Câmara de Representantes, enquanto nenhuma mulher aparece hoje entre os legisladores do estado no Parlamento.

Apenas 20% dos membros do Congresso americano são mulheres.

Os candidatos eleitos pela base democrata costumam ser mais diversos e progressistas dos que os nomeados pelo "establishment", uma jogada que corre o risco de condená-los nas urnas, afirmam especialistas.

Mas outros acreditam que um novo vento está soprando entre os eleitores que costumam se abster nas urnas, como Stacey Abrams, que deliberadamente buscou mobilizar as minorias ao invés de tentar convencer independentes ou republicanos moderados.

"Sim, as eleições de ontem à noite demonstraram que os democratas estão entusiasmados. Mas também demonstraram que erguemos as vozes que precisamos na cúpula" do partido, comemorou Tim Kaine, ex-candidato a vice-presidente na chapa comandada por Hillary Clinton nas presidenciais de 2016.

Os líderes democratas celebram publicamente esta leva de perfis sem precedentes, de olho nas eleições de novembro, mas também tendo no horizonte as presidenciais de 2020.