Mulheres na política: curso online oferece formação gratuita para pré-candidatas às eleições municipais

Raphaela Ramos
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Curso online oferece aulas para mulheres que irão se candidatar nas eleições municipais de 2020
Curso online oferece aulas para mulheres que irão se candidatar nas eleições municipais de 2020

Apesar de maioria entre a população e o eleitorado brasileiro, mulheres ainda são minoria nos cargos políticos. Com o objetivo apoiar as candidaturas femininas nas próximas eleições municipais, o Instituto Alziras e a organização alemã Fundaçāo Konrad Adenauer, em parceria com o Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos e a ONU Mulheres, desenvolveram um curso online para pré-candidatas a prefeitas e vereadoras.

O projeto "Mais Mulheres nas Eleições Municipais - Desafios e Estratégias em Tempos de Pandemia para Fortalecer Candidaturas de Mulheres no Próximo Ciclo Eleitoral" oferece videoaulas gratuitas, divididas em módulos semanais, com tutorias, atividades práticas e fóruns de discussão. Todo conteúdo será produzido por especialistas como a professora Flávia Biroli, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), e a jornalista Olga Curado, desenvolvedora de comunicação e preparadora de candidatos.

As inscrições para participar do curso vão até este domingo (28) e devem ser feitas por meio de um formulário online. As aulas começam dia 1 de julho e vão até o fim do mês. A princípio, todas as interessadas que forem pré-candidatas ao Executivo e Legislativo municipal em 2020 poderão participar. Caso seja necessário realizar uma seleção, serão considerados critérios como diversidade étnico-racial, pluralidade partidária, trajetória política e representatividade de todas as regiões do país, além de contemplar municípios de pequeno, médio e grande porte.

A pesquisa "Perfil das Prefeitas do Brasil", realizada pelo Instituto Alziras em 2018, mostrou que apenas 12% das prefeituras brasileiras são atualmente governadas por mulheres e 3% das cidades possuem mulheres negras no comando. O estudo também revelou que somente 13% do total das cadeiras nas câmaras de vereadores do país são ocupadas por mulheres.

— É um momento importante porque temos uma disputa de narrativas para explicar essa baixa participação. Tem gente que atribui a uma falta de interesse, mas nos dados que produzimos e acessamos vemos que é mais custoso para as mulheres entrarem na política, seja porque acumulam trabalho no âmbito doméstico e têm menos tempo, ou porque a distribuição dos recursos das campanhas são muito desiguais — explica Michelle Ferreti, uma das diretoras do Instituto Alziras, que tem como missão ampliar a presença de mulheres na política brasileira.

Buscando contribuir para a diminuição dessas desigualdades na disputa eleitoral, o curso vai oferecer conteúdos sobre comunicação, media training, redes sociais, planejamento, organização e financiamento de campanha e violência política de gênero. Além disso, também serão considerados os desafios de organizar uma campanha política em tempos de pandemia, especialmente no caso das mulheres.

Para Michelle Ferreti, se por um lado o contexto atual aumenta a sobrecarga e os riscos para as mulheres — o que pode dificultar sua participação em campanhas políticas — por outro, expõe essas barreiras e dá maior visibilidade para a centralidade do seu papel, podendo trazer consequências positivas.

— As mulheres estão mais sobrecarregadas com as tarefas domésticas, mas se abre uma possibilidade de ver como isso vai ser dividido entre as famílias. Os índices de violência e feminicídio aumentaram, as mulheres são grande parte dos trabalhadores dos serviços essenciais e de saúde e elas estão em muitos territórios articulando redes de solidariedade. Isso traz maiores riscos, mas elas acabam tendo mais visibilidade em suas comunidades. Nossa esperança é que elas possam colher os resultados políticos desse trabalho, que normalmente é tão invisível, mal remunerado e pouco valorizado pela sociedade — afirma Ferreti.