Mulheres negras ganham menos da metade que homens brancos no mercado publicitário

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Mulher negra de blusa azul parada com os braços cruzados em fundo de mesma cor
Somente 15% dos cargos de diretoria são compostos por pessoas negras
(Getty Creative)
  • Estudo mostra que mulheres negras ganham 45% do salário de homens brancos no mercado publicitário

  • Homens negros vem logo em seguida, com 54% da remuneração do colega branco

  • Negros e negras também são minoria em todos os cargos, especialmente os mais altos

O estudo Sustentabilidade Racial: Dados e estatísticas sobre a população negra no Brasil, divulgado pela Exame, revelou a desigualdade presente dentro do mercado publicitário brasileiro, com foco na área de publicidade e propaganda.

De acordo com os dados, as mulheres negras são as que mais sofrem com diferenças salariais, já que recebem, em média, apenas 45% da remuneração de um homem branco. Logo em seguida encontram-se os homens negros, ganhando 54% desse valor. As mulheres brancas são as que enfrentam menor desigualdade, com salário em torno de 81% do total recebido pelo colega branco, mas ainda sem a equidade desejada.

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A pesquisa também mostrou que pessoas negras são minoria em todos os cargos, especialmente nos mais altos: diretoria, por exemplo, conta somente com 15% de negros e negras. Apesar dos índices desanimadores, houve um aumento, nos últimos anos, de 10% entre os colaboradores que não fazem parte da alta gestão ou dos cargos estratégicos.

Michael França, pesquisador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper e coautor da pesquisa, explicou o motivo do mercado publicitário ter sido o eleito para essa análise. “Começamos por esse setor por dois motivos: o Ministério Público do Trabalho desenvolve um projeto para mudar o cenário atual, e por ser o setor responsável pela criação e reprodução de diversos estereótipos raciais e de gênero”. A pouca representatividade de negros nas campanhas publicitárias também foi apontada pelo estudo.

Para elaborá-lo, levou-se em conta três fatores: diferenças no número de colaboradores, índice de desequilíbrio racial e diferenças salariais. Este último passou por reduções significativas entre 2006 e 2010, porém os índices voltaram a piorar na última década, com destaque para 2017.

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