Mulheres políticas encontram desafios até dentro dos partidos

Ursula Vidal é secretária de Estado de Cultura do Pará. Foto: Divulgação

Nada pode parar uma mulher decidida. E é exatamente isso o que acontece com Ursula Vidal. Aos 47 anos, a secretária de Estado de Cultura do Pará busca se consolidar na vida política e poder ajudar as iniciativas culturais da região em que atua.

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Jornalista e cineasta, ela foi candidata ao senado pelo PSOL nas últimas eleições. Mesmo não tendo vencido, ela continuou a militar pela cultura, o que já fazia há muitos anos. Em entrevista ao blog, ela explicou que, além da cultura, ela também tem a sustentabilidade como uma de suas bandeiras.

Ela tomou contato com o tema quando fez um documentário com famílias que faziam coleta seletiva. Segundo ela, essa relação com a sustentabilidade é “profunda” e um de seus pilares na vida pública.

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De acordo com ela, ser mulher na política envolve “muitos desafios” e isso, segundo Ursula, já acontece dentro dos partidos, que arriscam pouco em renovação e no fortalecimento de candidaturas de mulheres. Ela diz que isso acontece, por exemplo, em relação ao orçamento das campanhas.

“Precisa que haja uma mobilização e um investimento dos próprios partidos nessa campanha com essa presença feminina. Candidaturas femininas ainda são colocadas como uma novidade. E o desafio começa já aí”, explica a secretária ao blog.

Segundo ela, a mulher que exerce um cargo público precisa enfrentar um machismo que é cotidiano. Ela afirma que muitas dessas situações se apresentam de forma velada e que outras estão no padrão de comportamento dos políticos.

Ursula também afirma que o machismo está presente em piadas, na maneira como as mulheres são dispostas dentro de uma reunião ou em falas de colegas de trabalho.

“O que parece ser um elogio ou um reconhecimento tem um fundo de machismo e isso é tão entranhado no comportamento social que, por vezes, os homens não percebem”, diz.

Porém, Ursula não se cala quando vê uma situação injusta. Ela diz que, muitas vezes, é preciso que uma mulher aponte um erro para que os homens reconheçam que o que está acontecendo não é normal.

“É chamar a atenção que, em uma foto de reunião de pessoas, só havia homens, por exemplo. A normalização dessa presença masculina só é percebida se as mulheres chamam a atenção de que aquilo não é normal. Essa voz da figura feminina é secundarizada”, explica a secretária.

De acordo com ela, é importante que as mulheres ocupem os cargos públicos cada vez mais. Ela afirma que conseguiremos uma melhor gestão apenas com a diversidade de visões de mundo. “A pauta enriquece, a agenda enriquece, a representatividade fica mais justa”, finaliza.

Durante duas semanas, o blog irá falar sobre as situações enfrentadas diariamente por mulheres que estão dentro da política. A série de matérias especiais começou nesta segunda-feira (5) e irá acabar no dia 16 de agosto.