Mulheres protestam e cobram punição a anestesista preso por estupro no RJ

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Dezenas de mulheres participaram de um protesto na tarde desta quarta-feira (13) contra o anestesista Giovanni Quintella Bezerra, preso em flagrante na madrugada de segunda-feira (11) por estuprar uma mulher sedada durante uma cesárea em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

As manifestantes se reuniram na praça José Alves Lavouras e fizeram uma caminhada até o Hospital da Mulher Heloneida Studart, onde ocorreu o crime.

A praça foi decorada com diversos cartazes com dizeres contra a violência de gênero, como "Meu corpo não é depósito de esperma", "Não irão nos calar", "Excesso de anestesia é violência obstetrícia" e "Estuprar é matar em vida".

O evento foi organizado pelo Fórum de Mulheres da Baixada Fluminense e também teve o apoio de movimentos sociais, coletivos feministas e políticos. O ato também cobrou a administração do hospital.

A deputada estadual e presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Dani Monteiro (PSOL), disse que a atitude do médico deve ser punida e alertou para outras situações de violência contra a mulher.

"Esse é um dia difícil e doloroso porque chegamos mais uma vez à conclusão de que vivemos num país que odeia os corpos das mulheres. O combate ao machismo não é uma tarefa única das mulheres, todos temos que combater juntos a violência contra as mulheres."

A deputada estadual Mônica Francisco (PSOL) disse que as mulheres vivem violências sistemáticas e que o caso da paciente do hospital de São João de Meriti não é isolado.

No final da passeata, faixas e mensagens de apoio à vítima foram deixadas na entrada do hospital.

Inaugurado em 2010, o Hospital da Mulher Heloneida Studart (HMHS) é o primeiro da rede estadual de saúde especializado no atendimento às gestantes e bebês de médio e alto risco. Atualmente, é a principal unidade de referência para este tipo de atendimento na Baixada Fluminense.

À frente das investigações do caso, a delegada Barbara Lomba afirmou nesta quarta que o médico pode ser considerado um criminoso em série.

A polícia apura se o suspeito cometeu ao menos outros cinco estupros de grávidas --sendo dois no mesmo dia do abuso que foi filmado por enfermeiros.

Segundo Lomba, a investigação do estupro que foi filmado está quase finalizada. Falta ouvir a vítima e receber a conclusão da perícia sobre o material que foi apreendido, como a gaze que ele teria utilizado para limpar o próprio pênis após o crime e os frascos de medicamento usados para sedação. Os itens foram encaminhados nesta quarta para serem periciados.

Se a polícia comprovar que houve reiteradamente sedações desnecessárias ou em doses excessivas que possam ter causado prejuízo às vítimas, o suspeito pode ser responsabilizado por outros crimes. "Aí vamos avaliar qual seria o tipo penal", disse a delegada na terça-feira.

Na terça, a Justiça do Rio de Janeiro converteu a prisão em flagrante em preventiva, com prazo de 90 dias prorrogáveis, e decidiu que ele seria levado para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, que abriga detentos com nível superior.

Ele estava acompanhado de um advogado na audiência de custódia, mas sua defesa ainda não se apresentou publicamente. O médico ficou em silêncio em depoimento à Polícia Civil.

O advogado Hugo Novais chegou a assumir o caso, porém desistiu no fim da tarde desta segunda. Antes, ele havia dito que só se manifestaria sobre a acusação após ter acesso aos depoimentos e provas apresentados na audiência de custódia.

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