Mulheres que trabalham fora de casa sofrem mais violência doméstica, diz estudo

Andréa Martinelli
Conforme o estudo do Ipea, o índice de violência doméstica com vítimas femininas é três vezes maior que o registrado com homens.  

Conquistar um trabalho formal e ter independência financeira não é garantia de proteção às mulheres contra a violência doméstica. É o que aponta novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com os dados, o índice de violência contra mulheres que integram a população economicamente ativa, cerca de 52,2%, é praticamente o dobro do registrado pelas que não compõem o mercado de trabalho, cerca de 24,9%.

“Uma possível explicação é que, pelo menos para um conjunto de casais, o aumento da participação feminina na renda familiar eleva o poder de barganha das mulheres, reduzindo a probabilidade de sofrerem violência conjugal”, destaca texto da pesquisa.

Porém, o estudo destaca que, em muitos casos, a presença feminina no mercado de trabalho – por contrariar o papel devido à mesma dentro de valores patriarcais – “faz aumentar as tensões entre o casal, o que resulta em casos de agressões e no fim da união”.

O estudo chega à conclusão de que o empoderamento econômico da mulher, a partir do trabalho fora de casa e da diminuição das discrepâncias salariais, “não se mostra suficiente para superar a desigualdade de gênero geradora de violência no Brasil”.

De acordo com o estudo, outras políticas públicas se fazem necessárias “como o investimento em produção e consolidação de bases de dados qualificados sobre a questão, o aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha e intervenções no campo educacional para maior conscientização e respeito às diferenças de gênero”.

Conforme o estudo do Ipea, o índice de violência doméstica com vítimas femininas é três vezes maior que o registrado com homens.

Os dados avaliados na pesquisa mostram também que, em 43,1% dos casos, a violência ocorre tipicamente na residência da mulher, e em 36,7% dos casos a agressão se dá em vias públicas.

Na relação entre a vítima e o perpetrador, 32,2% dos atos são realizados por pessoas conhecidas, 29,1% por...

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