Mulheres se candidatam menos a vagas de emprego, mas são mais propensas a serem contratadas

As disparidades salariais entre homens e mulheres são conhecidas no mercado de trabalho, que frequentemente buscam maneiras de combatê-las. Mas as diferenças entre os gêneros começam muito antes da jornada laboral, logo na busca por vagas: segundo uma pesquisa do LinkedIn, os homens se candidatam a mais oportunidades do que as mulheres, mas elas têm mais chances de conseguirem emprego.

O que está por trás desses dados mostra uma diferença de pontos de vista masculino e feminino sobre os processos de contratação. Segundo a empresa, as mulheres sentem que precisam atender a 100% dos critérios pedidos pela vaga, para se candidatar, enquanto os homens geralmente aplicam para os oportunidades após atender cerca de 60%.

— A conduta seguida pelas mulheres diante das oportunidades de trabalho tem uma origem cultural que acaba se manifestando nos processos de recrutamento e seleção — explica Alexia Franco, da Unique Group consultoria de Recursos Humanos.

Para a psicóloga e especialista em RH da Universidade Estácio Ana Amélia Freitas, a cobrança de jornadas duplas — ou até mesmo triplas, incluindo estudos além de afazeres domésticos e laborais — sobre as mulheres faz com que elas se sintam inseguras:

— Ela precisa dar conta de muitas coisas, então muitas vezes elas acreditam que não vão dar conta do recado. Já deles é esperado que sejam os provedores. Então, eles se tornam mais confiantes, cara-de-pau, digamos assim.

A pesquisa mostrou que elas são mais seletivas: se candidatam a 20% menos empregos do que os homens. Juliana Ribeiro, gerente executiva da Michael Page, observa esses dados no dia a dia.

Tanto ela quanto seus colegas de trabalho recrutadores recebem não apenas mais candidaturas de homens, mas os rapazes também tomam mais iniciativa e costumam mandar mensagens diretamente ao profissional da área de RH como forma de networking. O fenômeno aparece em todas as áreas de atuação.

Para ela, as mulheres se beneficiariam de eventos de networking e programas de mentorias e capacitação dentro das próprias empresa, que deveriam investir no incentivo às mulheres para ascensão profissional.

— Muitas vezes, a própria empresa precisa incentivar as mulheres a buscarem cargos de liderança, os homens já se oferecem mais. Elas muitas vezes não se sentem preparadas. As empresas precisam incentivar mais as mulheres, porque isso traz resultados positivos — diz a recrutadora.