Mulheres têm aula de artes marciais e consultas com psicólogo e advogado de graça na Baixada

·2 minuto de leitura

As moradoras da Baixada Fluminense terão, a partir do próximo dia 25, a oportunidade de aprender técnicas de defesa pessoal com aulas de artes marciais gratuitas. O projeto, batizado de Oficina Mulher Livre, será desenvolvido em Nova Iguaçu. As matriculadas terão aulas de jiu-jítsu e de kickboxing, e também receberão atendimento e acolhimento com profissionais de diversas áreas, que tentarão passar para as alunas a compreensão do significado do empoderamento feminino nos dias atuais.

O projeto tcontará com quatro núcleos. Três deles serão nos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) dos bairros de Austin, Vila de Cava e Miguel Couto, além de um outro na Coordenadoria de Políticas para Mulheres (CPM), no Centro do município. As aulas serão ministradas pelos professores Rafael Pereira (kickboxing) e Glaciane Axt (jiu-jítsu). Após a prática das artes marciais, as mulheres poderão participar de grupos de reflexão com assistentes sociais, psicólogos e advogados.

— Nosso objetivo é oferecer um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos entre as mulheres vítimas da violência, de forma que elas possam trocar experiências e dar apoio umas às outras e, ainda, proporcionar o aprendizado do jiu-jítsu e do kickboxing. Isso vai ajudá-las a superarem a violência e violação de seus direitos. Nosso intuito é que elas usem as técnicas adquiridas para se manterem vivas e romperem o ciclo de violência em que vivem —explicou a secretária municipal de assistência social Elaine Medeiros.

Responsável por ministrar as aulas de jiu-jítsu para as alunas, a professora Glaciane Axt, de 31 anos, atribui ao esporte todas as suas conquistas pessoais e quer dar às mulheres a oportunidade de se tornarem independentes a partir do momento que conseguem se defender por conta própria.

— Muitas delas podem não ter renda e depender financeiramente do agressor. Com a oficina, quero proporcionar não somente o aprendizado da defesa pessoal, mas de uma profissão que gere renda e abre caminhos, assim como abriu os meus.

Responsável pelas aulas de kickboxing, Rafael Pereira, de 23 anos, ressalta que um dos principais desafios para as mulheres é romper o bloqueio natural das alunas, pois a figura de um homem como professor poderá causar certa resistência e apreensão. Mas ele espera conseguir conquistar a confiança de todas:

— Será preciso desconstruir a imagem do homem como ameaçador e a partir disso ensinar a arte marcial.

Por conta das restrições devido à pandemia da Covid-19, a Secretaria municipal de Assistência Social vai abrir 15 vagas em cada núcleo, para que os protocolos de saúde sejam cumpridos adequadamente. Inicialmente, serão seis meses de duração, mas futuramente, o projeto deve ser levado para todos os CRAS da cidade e ter 40 alunas em cada um dos núcleos. As inscrições para a oficina já podem ser feitas diretamente nos núcleos já confirmados. Para isso, basta que as mulheres estejam inseridas no Cadastro Único. Caso contrário, o cadastramento poderá ser feito no ato da matrícula.