Multidão ataca embaixada em Bagdá e EUA envia soldados à região

Por Ahmed AL-RUBAYE y Ayman HENNA
Iraquianos pisoteiam bandeira americana na cidade de Najaf

Milhares de apoiadores dos paramilitares iraquianos pró-iranianos entraram à força na embaixada dos Estados Unidos em Bagdá nesta terça-feira, protestando contra os bombardeios americanos no país, o que precedeu o anúncio do envio de soldados americanos à região.

Os ataques mataram 25 combatentes das brigadas do Hezbollah, um grupo armado xiita iraquiano das Forças de Mobilização Popular, uma coalizão paramilitar dominada por facções pró-Irã integradas ao exército iraquiano.

Os milhares de manifestantes e apoiadores das Forças de Mobilização Popular, que participaram da procissão fúnebre dos combatentes abatidos, conseguiram atravessar os postos de controle da Zona Verde de Bagdá, em meio a fortes medidas de segurança, e onde ficam a embaixada e instituições iraquianas, constataram jornalistas da AFP.

Eles organizaram uma manifestação em frente à sede diplomática e fizeram uma oração em memória dos combatentes, e depois conseguiram atravessar a primeira barreira do gigantesco complexo altamente vigiado.

Foi então que as forças americanas lançaram granadas dentro do edifício.

O Departamento de Estado americano, por sua vez, afirmou que o pessoal da embaixada americana em Bagdá está seguro e não há planos de evacuar ninguém.

O embaixador americano, Unis Matt Tueller, ausente por uma "viagem pessoal", se dispunha a regressar à sede diplomática em Bagdá.

Após o início do ataque, o primeiro-ministro iraquiano, o demissionário Adel Abdel Mahdi, pediu aos manifestantes que deixassem o complexo e alertou que "as forças iraquianas proibirão estritamente qualquer ataque à representação diplomática".

O presidente americano, Donald Trump, conversou por telefone sobre a situação com Abdel Mahdi.

"Os dois líderes discutiram temas de segurança regional e o presidente Trump enfatizou a necessidade de se proteger o pessoal e as instalações dos Estados Unidos no Iraque".

Trump afirmou ainda que os iranianos "pagarão um alto preço" por seu ataque. "Isto não é uma advertência, é uma ameaça", tuitou o presidente.

"O Irã será plenamente responsável por vidas perdidas ou danos sofridos em qualquer das nossas instalações", escreveu Trump no Twitter.

O secretário americano da Defesa, Mark Esper, informou que "cerca de 750 soldados serão enviado" ao Oriente Médio "imediatemente".

Os efetivos da unidade de resposta rápida da 82a Divisão Aerotransportada estão preparados para o envio nos próximos dias, disse Esper, acrescentando que trata-se de "uma ação apropriada e preventiva diante do crescente nível de ameaça contra pessoal e instalações dos Estados Unidos como a que testemunhamos hoje em Bagdá".

"Os Estados Unidos protegerão seu povo e seus interesses em qualquer parte do mundo".

Antes de atacar a embaixada, os manifestantes queimaram instalações de segurança dentro do recinto, arrancaram câmeras de vigilância, atiraram pedras nas torres dos guardas e cobriram o vidro blindado de bandeiras das Forças de Mobilização Popular e das brigadas do Hezbollah.

- Irã -

No Twitter, Trump acusou o Irã de "orquestrar" o ataque à embaixada de Washington em Bagdá e pediu ao Iraque que use suas forças para proteger as instalações diplomáticas de seu país.

"Agora o Irã está orquestrando um ataque contra a embaixada dos EUA no Iraque. Eles serão totalmente responsabilizados. Além disso, esperamos que o Iraque use suas forças para proteger a embaixada", escreveu.

O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, afirmou que "o ataque foi orquestrado pelos terroristas Abu Mehdi al Muhandis e Qais al Khazali, e alentado pelos representantes do Irã Hadi al Ameri e Faleh al Fayyad".

Em seu tuíte, Pompeo anexou imagens dos quatro homens nos arredores da embaixada americana em Bagdá.

Teerã reagiu denunciando "a surpreendente audácia dos responsáveis americanos, que após matar ao menos 25 iraquianos e violar a soberania e a integridade territorial do Iraque [...], atribuem à República Islâmica do Irã as manifestações do povo iraquiano contra seus atos cruéis".

- Cresce o sentimento antiamericano -

Os Estados Unidos realizaram os ataques aéreos contra as brigadas do Hezbollah em resposta à morte, na sexta-feira, de um empreiteiro americano no décimo primeiro ataque de foguete em dois meses contra instalações dos Estados Unidos no Iraque.

Embora o ataque não tenha sido reivindicado, Washington o atribuiu às brigadas do Hezbollah.

O atentado de Washington alimentou o sentimento antiamericano entre os apoiadores pró-Irã no Iraque, país abalado desde 1º de outubro por uma revolta popular contra o governo iraquiano, acusado de corrupto e incompetente, e contra o Irã, cada vez mais influente no país.

As forças americanas, que invadiram o Iraque em 2003 e derrubaram o ditador Saddam Hussein, se retiraram do país em 2011. No entanto, em 2014 eles retornaram ao Iraque no âmbito da coalizão internacional contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Atualmente, existem 5.200 soldados americanos no Iraque. Nos três anos de guerra contra o grupo EI, os americanos lutaram ao lado dos militantes das Forças de Mobilização Popular.

Mas agora as fontes americanas dizem que as Forças de Mobilização Popular - que têm unidades nascidas para combater a ocupação americana - representam uma ameaça para os Estados Unidos ainda mais importante que o grupo EI.

Teerã e seu aliado libanês, o Hezbollah, disseram que os ataques dos Estados Unidos significam "apoio ao terrorismo".

Enquanto isso, os aliados de Washington no Golfo denunciaram os ataques às bases americanas no Iraque e apontaram que o Irã e as facções que colaboram com ele são uma "força de desestabilização" contra a qual qualquer país "tem o direito de se defender".

A Arábia Saudita condenou o que chamou de ataques terroristas" contra as forças americanas no Iraque.

"A Arábia Saudita seguiu com grande preocupação o ressurgimento de ataques terroristas no Iraque ... dos quais os mais recentes foram os de milícias terroristas apoiadas pelo regime iraniano contra as forças americanas presentes no Iraque", afirmou a agência de notícias oficial SPA.