Multinacionais lutam por milionário mercado mexicano de gasolina

Por Jean Luis ARCE
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(Arquivo) Posto de gasolina da Shell, no dia 6 de setembro de 2017, em Tlanepantla, México

As chamativas logomarcas de petroleiras como a britânica BP, a anglo-holandesa Shell e a americana Exxon-Mobil já começam a aparecer nas ruas e estradas do México, operando novos postos de gasolina, que buscam seduzir milhões de motoristas, num mercado ainda incipiente, mas com lucros promissores.

Com o preço da gasolina liberado desde dezembro em todo o país, caiu o último controle oficial e foi dada a largada da livre-concorrência, após sete décadas de monopólio estatal.

"O México vai importar mais gasolina nas próximas duas décadas que o resto da América Latina junta, então a oportunidade é bem grande", estima Ixchel Castro, especialista no mercado do combustível da Wood Mackenzie.

A primazia do México até mesmo sobre o Brasil se deve ao fato de o país complementar seu consumo de gasolina com biocombustíveis. Castro calcula a demanda mexicana por gasolina em 2018 em 790.000 barris diários, dos quais 525.000 serão importados.

É o despontar de um mercado que pode ser o maior e mais cobiçado da América Latina por gigantes do setor.

A abertura, permitida por uma reforma energética em 2013, busca reverter anos de uma produção petroleira local minguante, em meio a investimentos privados milionários para o deficitário mercado mexicano.

Com 11.774 postos de gasolina para 43 milhões de veículos em circulação, o México está longe do Brasil, que proporcionalmente tem o dobro de estações, ou dos Estados Unidos, com o quádruplo.

Além disso, o México tem apenas 10% da capacidade de armazenamento de combustíveis recomendada internacionalmente. Assim, no caso de um hipotético corte de abastecimento, o país teria gasolina só para três dias.

- Muitas marcas, o mesmo fornecedor -

Apesar de já existirem 30 marcas, estrangeiras e nacionais, lutando para conseguir um pedaço desse bolo, na prática, o único grande fornecedor de gasolina ainda é a estatal mexicana Pemex.

Em quatro anos de abertura, a Pemex passou do controle total dos postos de gasolina para 82%. Além disso, a estatal continua a ser a principal operadora de infraestrutura para importar e distribuir combustível.

O regulador de energia estima que serão necessários cerca de dois anos até que as companhias privadas comecem a operar seus próprios terminais, gasodutos e armazéns, com investimentos de 6,2 bilhões de dólares.

Outros 12 bilhões serão investidos em postos de gasolina, o ponto de encontro entre o cidadão comum e a indústria, e onde se dará a batalha pelos clientes.

As empresas privadas já operam 2.178 postos de gasolina e novos jogadores poderosos estão se unindo. A americana Exxon-Mobil anunciou, na semana passada, a abertura de oito postos, com a própria gasolina introduzida por terra, enquanto a francesa Total vai estrear em breve.

"Essa é uma oportunidade única. Para um grupo internacional de energia, como a Total, este mercado é extremamente importante", disse à AFP Alexandre Duret-Proux, diretor-geral da empresa no México.

A Total tem planos de abrir 250 postos nos próximos dois anos na região central do país, onde está concentrado um terço da demanda, e busca alcançar uma participação de 15% nesta área e em outras regiões.

"Há muito desejo de descobrir essas novas marcas, novas lojas, novos serviços. Somos uma marca francesa e, pelos estudos de marketing que fizemos, isso nos ajudou", diz Duret-Proux.

A British BP já abriu 87 dos 1.500 postos de gasolina que planeja ter no México em cinco anos.