Mundial de Clubes: conheça as estrelas, pontos fracos e pontos fortes de cada equipe do torneio

Vitor Seta
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Em edição extraordinariamente adiada por conta da pandemia do novo coronavírus, o Mundial de Clubes 2020 dá sua largada nesta quinta-feira, com o confronto entre Tigres, do México, contra os sul-coreanos de Ulsan Hyundai. A partida define quem enfrenta o Palmeiras na primeira semifinal, marcada para o dia 7.

Nesta partida de estreia, a balança parece pesar mais para o lado dos mexicanos. Após anos de certo desperezo e sucessivos vice-campeonatos na Liga dos Campeões da Concacaf, o Tigres enfim confirmou sua primeira ida ao torneio. Comandado há mais de dez anos pelo técnico Tuca Ferretti, a equipe leva vantagem por conseguir manter sua base de elenco há algumas temporadas.

— Depois de dez anos, não faria sentido mudar (o estilo de jogo). Nos trouxe até aqui, como inventaria alguma coisa? As partidas são matar ou morrer. Vivemos situação parecida em Orlando e nos classificamos — explicou Ferretti, lembrando a vitória por 2 a 1 sobre o Los Angeles FC, na final da Liga dos Campeões.

Tigres x Ulsan Hyundai

Comandada pelo atacante francês Andre-Pierre Gignac, vice-artilheiro do último Torneo Apertura com 11 gols em 17 jogos, a equipe se caracteriza por dar espaços ao adversário para tentar pegá-lo desprevinido em contra-ataques. Para isso, é necessária a letalidade de Gignac e dos pontas Quiñones e Aquino: se não estiverem inspirados, os mexicanos podem sofrer com a falta de iniciativa e criatividade.

A equipe estará desfalcada do uruguaio Nico López, ex-Internacional, que testou positivo para Covid-19. Outro nome conhecido dos brasileiros e presença muito provável na partida é o volante Rafael Carioca, ex-Vasco, Grêmio e Atlético-MG.

O adversário é o Ulsan Hyundai, que volta ao Mundial depois de uma única participação em 2012. Os sul-coreanos tiveram a pior perda possível nas semanas que antecederam o torneio: o brasileiro Júnior Negão, artilheiro da última K-League (24 gols em 22 jogos) deixou o clube.

Sem seu principal atacante, as esperanças dos atuais detentores do título nacional recaem sobre a organização tática particular ao futebol asiático e, individualmente, o meio-campista Yoon Bit-garam. O camisa 10, jogador mais técnico da equipe, foi eleito o melhor da última Liga dos Campeões da Ásia.

Al-Duhail x Al Ahly

O rico futebol qatari entra em confronto com o tradicional futebol egípicio. O Al Ahly é um participante tradicional da competição: vem para sua sexta disputa em 17 edições do atual formato, organizado pela Fifa. O hiato entre a última participação, em 2013, e a edição atual do Mundial foi grande: a equipe enfrentou eliminações e fracassos traumáticos na Liga dos Campeões da CAF. O nono título, porém, veio em grande estilo, com vitória sobre o rival Zamalek por 2 a 1.

O principal campeão do futebol africano aposta em um futebol de segurança defensiva, cirúrgico e apertando na frente quando necessário. O estilo exige bastante fisicamenta da equipe, mas, ao mesmo tempo, rendeu a tríplice coroa na última temporada.

— São duas competições que todo jogador sonha disputar. É uma responsabilidade maior para mim. Jogar um torneio internacional como o Mundial de Clubes exige muita determinação e trabalho duro. O Al Ahly, os jogadores e a comissão técnica se esforçaram muito para chegar até aqui — explicou o goleiro Mohamed El-Shenawy ao site da Fifa. Principal jogador da equipe, o jogador de 32 anos vive um auge tardio da carreira, após ganhar a vaga de titular da seleção egípcia na Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Para tentar competir com a tradição, o estreante Al-Duhail aposta nas individualidades. Campeões da última temporada e atuais vice-líderes da Qatar Stars League, os qatari têm em seu elenco nomes de peso, como o zagueiro marrroquino Benatia, ex-Juventus e o atacante Dudu, emprestado pelo Palmeiras. As duas contratações somam a "bagatela" 15 milhões de euros, cerca de 95 milhões de reais. O defensor chegou em 2019, enquanto o brasileiro foi contratado no ano seguinte.

A equipe ganhou uma vantagem em relação a desgaste no torneio, já que enfrentaria o Auckland City em fase anterior. Com a desistência dos neo-zelandeses devido aos riscos envolvendo a pandemia, a Fifa aplicou W.O e classificou os qatari diretamente.

Palmeiras

Campeão da Libertadores, o Palmeiras vem de temporada de transformação. Campeã paulista com Vanderlei Luxemburgo, a equipe mostrou irregularidade no Brasileirão e optou por trocar de técnico. A chegada do português Abel Ferreira e de reforços impulsionou o elenco, que despontou como candidato a título nas três competições que disputava — é finalista da Copa do Brasil, contra o Grêmio.

Embora a possibilidade de um possível título brasileiro tenha ficado para trás, a obssessão do clube desde 1999 virou realidade. A vitória por 1 a 0 sobre o rival Santos, no último sábado, no Maracanã, consagrou o alviverde como bicampeão da América, com direito a acachapante vitória por 3 a 0 sobre o River Plate na semifinal, e os trouxe de volta a disputa de um titulo mundial após a derrota para o Manchester United, há quase 21 anos.

Baseado em um estilo de organização e ataque em blocos, o Palmeiras de Ferreira é marcado pelo equilíbrio em todos os setores do campo. Rony e Luiz Adriano, principais peças de ataque, podem desequilibrar a favor dos brasileiros, mas será preciso ficar de olho no posicionamento defensivo, especialmente nas subidas dos laterais.

O Palmeiras enfrenta Tigres ou Ulsan Hyundai na semifinal.

Bayern de Munique

É difícil não considerar os alemães como bichos-papões do torneio. Afinal, um dos melhores elencos do futebol mundial veste o vermelho da Allianz Arena, com destaque óbvio para o atual melhor jogador do mundo pela Fifa, o atacante Robert Lewandowski.

Não importando quem enfrentar os bávaros, a principal dificuldade será quebrar o absurdo domínio de jogo e intensidade da equipe de Hans-Dieter Flick. Apoiados na genialidade de jogadores como Leon Goretzka — dúvida para o torneio após testar positivo para Covid-19 —, Kimmich, Alaba, Muller e Alphonso Davies, os alemães conseguem variar sua abordagem a qualquer momento, alternando pressão no campo de ataque, controle de bola no meio e intensidade ofensiva. Em resumo, qualquer estratégia adotada contra os campeões europeus gera riscos.

Mas a missão de batê-los não é impossível. A equipe perdeu Thiago Alcântara, um dos principais jogadores na conquista da Champions — vitória por 1 a 0 na semifinal, em campanha com goleada histórica por 8 a 2 sobre o Barcelona. As principais oportunidades parecem estar justamente no setor que o camisa 6, hoje no Liverpool, ocupava: evitar que a equipe de Flick ganhe o domínio do meio-campo e aproveitar os espaços nas subidas de Davies, mais comuns do que as de Pavard, pode ser um caminho de quem tentar desbravar o desafio.

Foi com ideias parecidas que o pequeno Hosten Kiel, da terceira divisão, segurou os gigantes no tempo normal para eliminá-los nos pênaltis na segunda rodada da Copa da Alemanha, no último dia 13.

O Bayern enfrenta Al-Duhail ou Al-Hilal na semifinal.