Mundial de Clubes depende de definição de representante asiático e time saudita preocupa

Bruno Marinho

Doha - Após a classificação do Flamengo para o Mundial de Clubes, falta a definição de apenas uma equipe para completar as sete que disputarão o Mundial de Clubes no Qatar a partir do próximo dia 11. Longe de ser do gosto dos organizadores da competição, o Al-Hilal é o favorito para conquistar a Liga dos Campeões da Ásia — o time enfrenta o Urawa Reds neste domingo, às 7h, no Japão, podendo empatar para ser campeão. Se passar, enfrentará o Espérance, da Tunísia, nas quartas de final. O vencedor pegará o Flamengo na semifinal.

O Al-Hilal, do volante Cuéllar, é a equipe mais popular da Arábia Saudita. É a partir daí que começam os problemas. De Riad, cidade que abriga o clube e capital saudita, até Doha, são apenas seis horas de viagem de carro. A maneira de deslocamento dos torcedores para o Mundial dependerá mais do governo saudita, liderança do bloqueio em vigor atualmente por mais outras dez nações, do que dos qataris.

Atualmente, está vetada a entrada de pessoas na Arábia Saudita vindas do Qatar e também e saída de sauditas em direção ao país vizinho. Caso a torcida consiga permissão excepcional para ir ao Mundial, o que se teme é algum atrito.

O Qatar foi acusado de financiar o terrorismo no Oriente Médio. Além disso, o conglomerado de comunicação Al Jazeera, pertencente ao governo qatari, é alvo de críticas por supostamente manipular informações sobre outros países do Oriente Médio. Para completar, a relação do país com o Irã é criticada pelos vizinhos. E a rispidez na esfera diplomática contagiou a população dos países.

Em janeiro, a semifinal da Copa da Ásia, entre Emirados Árabes e Qatar, em Abu Dhabi, ficou marcada pela hostilidade dos torcedores locais contra os qataris. Centenas de sandálias foram arremessadas contra os jogadores do Qatar. Existe o receio, com a ida do Al-Hilal para o Mundial de Clubes, que os torcedores locais paguem na mesma moeda.

— Estamos prontos para tudo. Nossas portas estão abertas, simples assim. Não fomos nós que fizemos bloqueio contra ninguém e estamos prontos para receber qualquer um aqui no Qatar — disse Hassan Al Thawadi, secretário-geral do Comitê Organizador do Qatar-2022.

A Copa do Golfo, que começa sem solo qatari na terça-feira e vai até o dia 8, pode dar uma noção do que acontecerá caso o Al-Hilal se classifique para o Mundial de Clubes. Os países que fazem o bloqueio ao Qatar anunciaram a participação no torneio em cima da hora. A expectativa agora está em cima de como a população local os receberá.

Reza a lenda que os recursos naturais na superfície do Qatar são tão escassos que nem mesmo a areia das turísticas dunas não são do país, mas, sim, sauditas levadas pelo vento que sopra do continente rumo à península. O bloqueio imposto pela Arábia Saudita aos qataris não é páreo para a natureza, e agora corre o risco de perder também para o futebol.