Mundial de Clubes: semifinal entre Palmeiras e Tigres é risco de choque de realidade para sul-americanos

Bruno Marinho
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Entre o título da Libertadores e o sonhado confronto com o campeão da Champions League, existe desde 2005 compromisso um tanto quanto enfadonho para os sul-americanos: a semifinal do Mundial. É quando encaram um adversário sem o mesmo glamour, mas nem sempre inferior em campo. Na verdade, muitas vezes a partida serve como um choque de realidade: a de que estão mais próximos das potências periféricas do que dos pesos pesados da Europa.

Neste domingo será a vez do Palmeiras encarar esse desafio traiçoeiro: enfrentará o Tigres, do México, com um carimbo de favorito que se justifica mais pelo status quo do que pela qualidade. Se vencer, segue para a decisão alimentando um pouco mais a esperança de desbancar o Golias. Se perder, jogará o terceiro lugar com estigma irremediável de fracasso.

— A dificuldade maior é o desconhecimento, não da comissão técnica, de quem está analisando o adversário. É o desconhecimento na questão cultural, do senso comum de não saber que o adversário tem peso — afirma Cléber Xavier, auxiliar de Tite na seleção e no Corinthians, campeão mundial em 2012. — Todo mundo fala: vai ser Palmeiras x Bayern, mesmo que isso já não tenha acontecido com Atlético-MG, Inter...

Anos passam e continua sendo difícil para os derrotados. À reportagem, o único que falou foi o ex-zagueiro Bolívar, do Internacional de 2010, surpreendido pelo Mazembe, da República Democrática do Congo.

Para ele, pesa contra o sul-americano entrar na competição já na semifinal, enquanto o adversário já vem de um jogo, nas quartas:

—Existe uma ansiedade natural da estreia que não é compartilhada pelo adversário, que já jogou, está no ritmo da competição.

Em 15 disputas de semifinal, os sul-americanos caíram com Inter (2010), Atlético-MG (2013), Atlético Nacional (2017) e River Plate (2018). Curiosamente, nenhum contra mexicanos — ao menos na teoria os mais fortes, atrás de europeus e sul-americanos. Pode explicar isso o fato de que geralmente eles são mais conhecidos, havendo menos espaço para surpresas.

— É um jogo muito decisivo, contra um adversário que você às vezes conhece pouco. Não tem como pensar na final antes desse jogo, isso é mais a mídia que fica projetando o jogo entre o campeão da Libertadores e o europeu — diz Bolívar.

Desde 2005, quem melhor passou pela semifinal foi o Santos, em 2011, que venceu o Kashiwa Reysol, do Japão, por 3 a 1, e o Flamengo, que derrotou o Al-Hilal, da Arábia Saudita, pelo mesmo placar, em 2019.

São exceções à regra. No geral, a classificação é sofrida e os sul-americanos estão mais próximos dos adversários menos conhecidos do que gostaria. Um exemplo: o valor de mercado do Tigres, de acordo com o Transfermarkt, é de 59 milhões de euros. Do Palmeiras, 95 milhões de euros. Já o do Bayern: 879 milhões de euros.