Derrota para o Tigres fez a geração palmeirense de 1999 lembrar de derrota pra o Manchester United

Colaboradores Yahoo Esportes
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Rony lamenta derrota do Palmeiras para o Tigres no Mundial. Foto: Mohamed Farag - FIFA/FIFA via Getty Images

Rony lamenta derrota do Palmeiras para o Tigres no Mundial. Foto: Mohamed Farag - FIFA/FIFA via Getty Images

O time do Palmeiras esperou 21 anos por uma nova chance no Mundial de Clubes. Uma oportunidade para apagar a a decepção da derrota por 1 a 0 para o Manchester United em 1999. Deu tudo errado.

A queda diante do Tigres (MEX) também pelo placar mínimo na semifinal do último domingo (7) adiou mais uma vez o sonho da equipe paulista. Restou disputar o terceiro lugar nesta quinta, 12h (de Brasília), contra o Al Ahly (EGI).

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Para os jogadores que entraram em campo do Estádio Nacional de Tóquio há mais de duas décadas, ficou a sensação de ter visto um filme repetido.

"Os clubes brasileiros precisam encontrar um jeito de jogarem com mais tranquilidade. O Palmeiras contra o Tigres não foi o mesmo da Libertadores. O nervosismo apareceu. Foram muitos erros de passes. De certa forma, o mesmo aconteceu com a gente em 1999. Era aquela história de ser o jogo da nossa vida. E não era", relembra o volante Galeano, titular na derrota para os ingleses.

Naquela época, a equipe alviverde passou cerca de seis meses apenas pensando no Mundial em Tóquio. Pelo regulamento da então Copa Intercontinental, era um jogo contra o vencedor da Champions League, sempre na capital japonesa. O nervosismo no elenco brasileiro era tão grande que o lateral Júnior bateu na porta do quarto do volante César Sampaio na noite anterior à final para dizer que não iria entrar em campo.

O técnico Luiz Felipe Scolari havia alertado tanto seus atletas contra os cruzamentos de David Beckham, que o ala temia ser responsabilizado pela derrota caso a jogada acontecesse.

"A questão psicológica pesa. Pesou para nós e pesa hoje em dia. Não apenas para o Palmeiras. Se você olhar, nos últimos anos, quantos times campeões da Libertadores não conseguiram nem passar pela semifinal do Mundial? Vários", constata o atacante Oséas, que entrou durante o segundo tempo em 1999 e perdeu a melhor chance alviverde para empatar.

Oséas lamenta enquanto Silvestre comemora vitória do Manchester United sobre o Palmeiras no Mundial Interclubes 1999. Foto Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

Oséas lamenta enquanto Silvestre comemora vitória do Manchester United sobre o Palmeiras no Mundial Interclubes 1999. Foto Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

O último sul-americano a ganhar o Mundial foi o Corinthians, em 2012. Desde então, Atlético-MG, River Plate (ARG), Atlético Nacional (COL) e o Palmeiras caíram na semifinal.

Os ex-jogadores fazem uma observação que diferencia a equipe atual daquela do final do século passado. Em Doha, o Palmeiras não jogou e foi dominado por boa parte dos 90 minutos pelos mexicanos. Bem diferente das ações em Tóquio.

"Poucos times sul-americanos enfrentaram o europeu no Mundial e criaram tantas oportunidades quanto nós. Só não era a nossa noite. Pressionamos, tivemos mais posse de bola e o melhor em campo foi o goleiro deles. Desta vez, o Palmeiras não criou muito. Foi um pouco decepcionante", constata Evair, que atuou pela última vez com a camisa do time paulista na perda do Mundial de 1999.

Na época, o melhor em campo na final ganhava um carro da Toyota, patrocinadora do evento. O escolhido foi o meia-atacante Ryan Giggs. Mas o consenso entre os jornalistas foi que as defesas do australiano Mark Bosnich garantiram a vitória do Manchester United.

Houve também a questão do erro de arbitragem. Os palmeirenses até hoje reclamaram de gol anulado de Alex por impedimento. Ele estava em condição legal.

"Neste ano não houve nada para dizer do juiz. O pênalti marcado para o Tigres aconteceu. Problema foi que o Palmeiras encontrou muitas dificuldades", completa Galeano.

Embora tivesse sido uma decepção, o revés em Tóquio naquele final de novembro de 1999 aconteceu quando não havia a provocação "o Palmeiras não tem Mundial" dos adversários. Isso apareceu apenas nos anos seguintes. Também não existiam redes sociais para os rivais postarem fotos espezinhando o sofrimento alviverde.

A opinião comum entre os jogadores que perderam em 1999 é que a decepção não pode ser o estopim para mudanças drásticas. Ao contrário, o Palmeiras tem de seguir na mesma toada. Se isso acontecer, não há motivo para o time não quebrar essa escrita no final deste ano.

"Nós poderíamos ter ido novamente para a decisão do Mundial na nossa época. Chegamos com a mesma base na final da Libertadores de 2000 e perdemos para o Boca nos pênaltis. Não pode se desesperar e querer fazer mudanças profundas. É uma base que já é campeã da Libertadores", constata Júnior.

Júnior marcou David Beckham em Palmeiras x Manchester United no Mundial Interclubes 1999. Foto: Reuters

Júnior marcou David Beckham em Palmeiras x Manchester United no Mundial Interclubes 1999. Foto: Reuters

Nisso, o calendário alterado por causa da pandemia da Covid-19 pode ajudar, eles acreditam. No final deste mês o time ainda tem a final da Copa do Brasil, contra o Grêmio. Maratona que faz Evair lembrar de outro problema.

"O Palmeiras vinha em uma sequência de jogos enorme. Ganhou a Libertadores no sábado e dias depois já estava no Qatar. No nosso caso, em 1999, vivíamos o final da temporada. O Manchester, assim como o Bayern agora, está no meio do campeonato nacional. Isso faz diferença", ressalta.