Mundo adota medidas econômicas e restritivas para lidar com coronavírus

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Homem com máscara de proteção caminha por rua deserta da cidade francesa de Estrasburgo

Injeção de bilhões nas economias, ruas desertas e medo desenfreado: planos de estímulo estão se multiplicando em todo o mundo para aliviar a economia atingida pelo coronavírus, especialmente em uma Europa que se tornou o epicentro da pandemia.

Surgida no centro da China no final de 2019, a Covid-19 fez sua primeira morte na África Subsaariana, em Burkina Faso, de acordo com uma fonte oficial. No total, a pandemia matou pelo menos 7.873 pessoas em todo o mundo, de acordo com um balanço estabelecido nesta quarta-feira pela AFP com base em fontes oficiais.

Hoje será a vez dos belgas de se confinarem a partir do meio-dia, com exceções de idas ao médico, a lojas consideradas essenciais e para atividades físicas ao ar livre.

A chanceler alemã Angela Merkel vai se pronunciar esta noite na televisão para pedir aos alemães que respeitem as orientações sanitárias em vigor. Nenhuma nova medida deverá ser anunciada nesta ocasião, enquanto as escolas estão fechadas e a maioria das lojas "não essenciais" deve ser gradualmente.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu que todos os políticos "subestimaram" a extensão do perigo representado pela nova epidemia de coronavírus, em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal alemão Bild.

"Entendemos que todas essas medidas, que duas ou três semanas atrás pareciam drásticas, devem ser tomadas agora", disse von der Leyen, lembrando que a Europa "é neste momento o epicentro da crise".

Os ministros europeus dos Transportes deverão se reunir por videoconferência ainda esta manhã para discutir um setor particularmente afetado pela crise.

As companhias aéreas têm sofrido enormemente com a epidemia de Covid-19 e com as medidas de bloqueio para conter sua expansão. O governo italiano também está pronto para nacionalizar a companhia Alitalia, à beira da falência há anos.

- Eventuais nacionalizações na França -

De maneira mais geral, o presidente Donald Trump, depois de ter demorado para reagir, pretende assumir o ônus da recuperação econômica, com um programa de ajuda "audacioso e muito importante" destinado a empresas americanas em risco.

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, não revelou o valor desse plano de ajuda em negociação. Mas a imprensa citou cerca de 850 bilhões de dólares. E, segundo a cadeia americana CNBC, pode até exceder 1 trilhão de dólares.

Uma perspectiva que tranquilizou os mercados. Wall Street fechou em alta, o Dow Jones subiu 5,17% e o Nasdaq 6,23%.

Nesta quarta, os mercados financeiros abriram em forte queda (-3,6% em Londres, -4% em Frankfurt), apesar das medidas de apoio anunciadas no dia anterior.

Na terça-feira, o Banco Central Europeu (BCE) forneceu mais de 100 bilhões de euros em liquidez aos bancos. A Itália, o país mais afetado pela epidemia na UE, anunciou 25 bilhões de euros.

Na França, o governo anunciou uma redução, adiamento ou cancelamento de cobranças de até 32 bilhões de euros somente em março. E o primeiro-ministro Edouard Philippe não descartou a nacionalização de empresas, se necessário.

O Estado espanhol garantirá até 100 bilhões de euros em empréstimos às empresas.

Por sua vez, Londres oferecerá a garantia estatal para empréstimos comerciais em até 330 bilhões de libras (363 bilhões de euros) e auxílio de 20 bilhões de libras.

- China acorda progressivamente -

Os decisores políticos agitam, portanto, bilhões, diante de um mundo em paralisia, que aprende a viver em casa, enquanto as forças de ordem observam.

O centro de Paris, por exemplo, com seus Grands Boulevards geralmente cheios de vida à noite, virou uma cidade morta; apenas algumas pessoas isoladas passavam aqui e ali, às vezes para passear com o cachorro. O tráfego de carros era quase zero.

Em consonância com as recomendações globais de saúde que consistem em evitar o contato físico o máximo possível, o papa Francisco lembrou às famílias confinadas a importância de "gestos de ternura", como "um prato quente, uma carícia, um abraço, um telefonema", em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal La Repubblica.

Enquanto a Europa está escondida, a China, onde o coronavírus apareceu no final de 2019, está emergindo cautelosamente de sua hibernação viral: o número de novas infecções está se aproximando de zero e o país está começando a retornar à vida.

Fora da província de Hubei, berço da Covid-19 ainda em quarentena, as lojas, fechadas por quase dois meses, estão gradualmente reabrindo suas portas e entusiastas de tai chi praticam novamente sua arte no espaço público.

"Eu estava com muito medo", disse Zhang Min, empresário de 50 anos em um parque em Xangai. "Agora está tudo bem. Não é como nos países estrangeiros, onde as pessoas assaltam os supermercados".

Mas o uso da máscara permanece e a temperatura é medida na entrada de todo supermercado.