Mundo em alerta máximo pelo coronavírus observa raio de esperança na China

Por Thibauld MALTERRE con las oficinas de la AFP en el mundo
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Operação de limpeza no metrô de Madri em 18 de março de 2020

Da Europa à Austrália, passando por países que estavam céticos, como o Estados Unidos, o mundo está em alerta máximo diante do coronavírus. Da China, onde surgiu a epidemia, veio uma notícia positiva nesta quinta-feira: pela primeira vez desde o início da pandemia o país não registrou nenhum caso de contágio local.

Para lutar contra este "inimigo da Humanidade", como definiu a Organização Mundial da Saúde (OMS), que já infectou mais de 210.000 pessoas e matou mais de 9.000, Europa e Estados Unidos anunciaram ajuda pública maciça.

Nesta quinta-feira, as Bolsas europeias, que registraram quedas expressivas nos últimos dias, pareciam reagir bem aos anúncios do Banco Central Europeu e operavam de maneira positiva.

A COVID-19 segue avançando sem fazer distinção de classe social, raça ou continente. O negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, anunciou que apresentou resultado positivo para o coronavírus.

A Itália, com quase 3.000 mortes, é o país europeu mais afetado pela pandemia, que já é mais letal na Europa que na Ásia.

Uma semana depois do início do confinamento da população, o país registrou 475 mortes na quarta-feira, o pior balanço diário em apenas um dia em um único país, inclusive acima do pior momento da epidemia em Wuhan, berço da doença.

A China, porém, não registrou nas últimas 24 horas nenhum caso de contágio local e anunciou 34 casos em pessoas procedentes do exterior.

- Silêncio angustiante -

O novo coronavírus também provocou a primeira morte na África subsaariana, em Burkina Faso.

"A África precisa acordar e se preparar para o pior", advertiu o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A Rússia também registrou a primeira morte provocada pela COVID-19.

A Espanha, com mais de 17.000 casos e 767 mortes, é o quarto país do mundo mais afetado pela pandemia, o que levou o governo a declarar estado de alerta e decretar uma quarentena quase total.

Na quarta-feira à noite, o rei Felipe VI pediu unidade aos espanhóis em um período complicado para o país, em um discurso exibido na TV. Durante sua fala, panelaços foram ouvidos em cidades como Madri e Barcelona em protesto contra a monarquia.

No Reino Unido, que superou a marca de 100 mortos, as autoridades ordenaram o fechamento das escolas a partir de sexta-feira. O metrô de Londres também fechou parcialmente nesta quinta, segundo a recomendação do governo de evitar os deslocamentos não essenciais.

De acordo com a Unesco, mais de 850 milhões de crianças e adolescentes, quase metade dos estudantes no planeta, estão sem aulas depois que os centros de ensino foram fechados.

Para tentar conter a propagação do vírus, cada vez mais países anunciam restrições aos deslocamentos.

Austrália e Nova Zelândia anunciaram mais medidas para limitar o acesso a seus territórios. Israel também fechou as fronteiras a todos os estrangeiros, com exceção daqueles com visto de residência.

Mais de 500 milhões de pessoas estão confinadas em suas casas, de acordo com um balanço da AFP.

"A única coisa que me angustia é o silêncio. Não se ouve nenhum barulho, nenhum carro, as ruas estão vazias... Quando você sai para caminhar e ouve passos atrás, quase dá medo, você vira preocupado", afirma o italiano Roberto Fichera, 84 anos, morador de Roma.

Na Itália, as medidas de confinamento, previstas até 3 de abril, serão prolongadas, anunciaram as autoridades.

A França, onde os habitantes só podem sair de suas casas para ir ao supermercado, ao médico ou para trabalhar (quando o trabalho à distância não é possível), provavelmente também prolongará as medidas além dos 15 dias previstos inicialmente.

Na Alemanha, que tem mais de 10.000 casos, a chanceler Angela Merkel pediu aos compatriotas que sigam as recomendações de limitação dos deslocamentos, "imprescindíveis para salvar vidas".

Na América Latina, o vírus também avança, com mais 1.300 contágios e 10 mortes. O Chile, com 200 casos, decretou "estado de catástrofe" e enviou os militares às ruas.

Colômbia e Bolívia anunciaram emergência sanitária. Na Argentina, que registrou a terceira vítima fatal, os voos domésticos, viagens de ônibus e de trens de longa distância serão suspensas por cinco dias.

Cuba e Costa Rica também registraram as primeiras mortes.

No Brasil, com mais de 400 casos confirmados, o presidente Jair Bolsonaro criticou a "histeria" nas reações mundiais à pandemia, mas dois ministros de seu gabinete apresentaram resultado positivo para o novo coronavírus.

- Uma medida "extraordinária" -

No plano econômico, todos os setores registram desaceleração. General Motors e Ford anunciaram a suspensão da produção de automóveis na América do Norte.

Para o CEO da Lufthansa, com mais de 90% dos aviões parados, o futuro da aviação está em perigo sem ajudas públicas.

A pandemia poderia destruir 25 milhões de empregos em todo o mundo, advertiu a Organização Internacional do Trabalho, que pediu a adoção de medidas de "grande magnitude" para proteger os trabalhadores e reativar a economia.

Neste contexto excepcional, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou na quarta-feira à noite a criação de um mecanismo de 750 bilhões de euros para a compra de títulos da dívida pública e privada, com o objetivo de proteger a economia europeia do impacto da COVID-19.

Uma iniciativa "extraordinária", de acordo com a presidente da instituição, Christine Lagarde. A medida foi elogiada pelos líderes da União Europeia.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, que durante muito tempo pareceu minimizar a dimensão da pandemia, promulgou um plano de ajuda social de 100 bilhões de dólares, destinados aos trabalhadores afetados. A Casa Branca negocia um plano de estímulo econômico, que poderia alcançar 1,3 trilhão de dólares.