Mundo arrisca catástrofe moral se vacinação contra Covid na África atrasar, diz órgão de controle de doenças do continente

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NAIROBI (Reuters) - O mundo corre o risco de uma "catástrofe moral" se as vacinações Covid-19 forem adiadas na África enquanto regiões mais ricas inoculam suas populações inteiras, disse o chefe do órgão de controle de doenças do continente na quinta-feira.

O Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças espera que campanhas de vacinação significativas no continente comecem em abril, disse seu chefe, John Nkengasong, a repórteres.

"É um longo caminho a percorrer dado que este vírus se transmite muito rapidamente", disse ele, acrescentando que na África "a segunda onda está aqui com força total".

Os casos do novo coronavírus aumentaram quase 19% desde a semana passada e as mortes aumentaram 26%, de acordo com dados do órgão de controle de doenças da África. O continente registrou 2,7 milhões de infecções por coronavírus e 64.000 mortes até esta quinta-feira.

A África do Sul, onde uma nova variante do vírus foi detectada, registrou 82.000 casos na semana passada, disse.

"Não podemos atrasar, precisamos dessas vacinas e precisamos delas agora", disse Nkengasong.

Os principais obstáculos para vacinações começarem na África, segundo ele, são a disponibilidade global de doses e financiamento. As nações ricas adquiriram vacinas além do que precisam, acrescentou.

"Não precisamos entrar em uma crise moral, onde essas coisas são estocadas no mundo desenvolvido e nós na África estamos lutando para ter", disse Nkengasong.

A União Africana está em negociações com União Europeia, Canadá e empresas farmacêuticas para garantir doses, afirmou, para garantir vacinas, além do que foi prometido à África pelo programa Covax da Organização Mundial de Saúde (OMS). Covax é um esquema global para fornecer vacinas contra coronavírus aos países mais pobres.

"Isso se tornaria facilmente uma catástrofe moral se não nos uníssemos para abordar o futuro o mais cedo possível em 2021 e anteder à África em seu ponto de necessidade."

(Reportagem da redação de Nairobi)