Mundo não atinge meta de proteção de zonas costeiras e marinhas, diz estudo

·2 minuto de leitura

RIO — O planeta atingiu as metas necessárias para conservação de áreas protegidas em terra, mas a qualidade das águas precisa melhorar. Esta é a conclusão do relatório Planeta Protegido, assinado pelo Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep-WCMC) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza, produzido com o apoio da National Geographic Society.

O documento bienal traz a avaliação final da Meta 11 de Aichi, que entrou em vigor em 2011 e previa a proteção, até 2020, de pelo menos 17% das zonas terrestres e de águas continentais, além de 10% das zonas costeiras e marinhas, especialmente áreas consideradas de importância particular para biodiversidade.

Hoje, 16,64% da superfície de áreas terrestres e águas interiores do planeta estão dentro de áreas protegidas e conservadas documentadas. Este índice equivale a 22,5 milhões de km². O relatório considera que esta meta foi cumprida, já que muitas localidades de áreas protegidas ainda não foram relatadas.

A meta das zonas marinhas, porém, não foi cumprida — hoje, 7,74% das águas costeiras e do oceano, ou 28,1 milhões de km², cumprem o critério da Meta de Aichi. O compromisso não teria sido atingido mesmo levando em consideração que há áreas protegidas ainda não documentadas.

O relatório alerta que, além da quantidade de território protegido, também é preciso levar em consideração a sua qualidade — ou seja, o seu valor para a conservação de espécies.

Um terço das áreas-chave da biodiversidade no planeta ainda não estão protegidas de forma alguma. Além disso, menos de 8% da terra está protegida e conectada — a ligação entre as áreas conservadas é importante para permitir a movimentação de espécies.

— Áreas protegidas e conservadas desempenham um papel crucial no combate à perda da biodiversidade, e grandes progressos foram feitos nos últimos anos no fortalecimento da rede global de áreas protegidas e conservadas — destaca Neville Ash, diretor do Unep-WCMC. — Entretanto, designar e contabilizar mais áreas protegidas e conservadas é insuficiente; elas precisam ser efetivamente gerenciadas e governadas de forma equitativa se quiserem perceber seus muitos benefícios em escala local e global e garantir um futuro melhor para as pessoas e para o planeta.

A Meta 11 de Aichi será sucedida pelo Marco Global Pós-2020 de Biodiversidade, que deverá ser acordado na Conferência sobre a Diversidade Biológica da ONU em Kunming (China) em outubro. A expectativa é que a convenção estabeleça um novo aumento da cobertura e da eficácia das áreas protegidas e conservadas.