Mundo se prepara para um Natal triste sob fortes restrições

Holly ROBERTSON
·4 minuto de leitura

O Natal este ano será triste em muitos países, com milhões de pessoas obrigadas a cancelar seus planos ou a limitar as celebrações devido às restrições impostas para lutar contra a propagação da pandemia de coronavírus.

A covid-19 provocou mais de 1,7 milhão de mortes em todo o planeta e os focos de contágios que continuam surgindo servem de recordação que, apesar da chegada das primeiras vacinas, a vida não voltará rapidamente à normalidade.

Sob um céu nublado, poucas pessoas acompanharam a tradicional procissão de Natal nas ruas de Belém, que normalmente atrai milhares de peregrinos.

Pouco mais de 100 pessoas, de máscara e guarda-chuva, assistiram o desfile, com bandeiras palestinas e do Vaticano.

"Apesar do medo e da frustração, superaremos esta prova porque Jesus nasceu em Belém", declarou o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa.

"Este ano é diferente porque não viemos para rezar na igreja da Natividade, nem conseguimos reunir a família. Todos estão com medo", confessa Jani Shaheen, ao lado do marido e dos dois filhos, diante da basílica construída onde teria nascido Jesus Cristo.

Devido à pandemia, a noite de 24 de dezembro não terá missa com público, nem a presença de dirigentes palestinos, apenas uma cerimônia de Natal com a presença do clero e que será transmitida pela televisão.

O papa Francisco anunciou nesta quinta-feira que visitará o Líbano "o mais rápido possível", em uma carta enviada aos libaneses de todas as confissões por ocasião do Natal.

"Queridos filhos e filhas do Líbano, minha dor é muito grande ao ver o sofrimento e a angústia que sufocam o ânimo de empreendimento e o dinamismo do País do Cedro", escreveu o pontífice.

- "Ano triste" -

A Austrália, que chegou a ser mencionada como exemplo de boa gestão da crise sanitária, enfrenta atualmente uma nova conda de casos no norte de Sydney, cidade onde os habitantes só podem convidar a suas casas 10 adultos e apenas cinco se moram no epicentro do foco de contágios.

Jimmy Arslan, que possui dois cafés localizados nos bairros mais afetados, registrou queda de 75% no volume de negócios. E não poderá encontrar a família, que mora em Canberra e não pode viajar para o Natal.

"É de partir o coração", afirma. "É um final triste para um ano triste. "Deveríamos dar as boas-vindas em 2021 e chutar 2020 no traseiro", brinca o homem de 46 anos.

Nas Filipinas, alguns optaram por passar as festas sozinhos devido ao risco de contrair o vírus no transporte público.

"Vou pedir comida, assistir filmes antigos e fazer uma chamada de vídeo com a família", afirma Kim Patria, de 31 anos, que mora sozinha em Manila.

A República do Congo anunciou um reconfinamento para o Natal e 1º de janeiro, provocando a ira dos bispos.

A maior parte da Europa enfrenta um de seus invernos mais tristes, com a aceleração da epidemia em vários países.

A Alemanha cancelou os famosos mercados de Natal e o papa Francisco decidiu antecipar em duas horas a Missa do Galo no Vaticano, para cumprir as restrições na Itália.

Em contraste, no nordeste da Síria, controlado pelos curdos, os residentes ignoraram a pandemia e participaram de uma cerimônia de iluminação de um pinheiro em um bairro cristão, sob o olhar atento das forças de segurança.

- Natal em Dover-

Milhares de caminhoneiros europeus se preparavam para passar a noite em condições difíceis, bloqueados ao redor do porto de Dover, no Reino Unido, que sai lentamente do isolamento provocado pela detecção em seu território de uma nova cepa do coronavírus.

"Todos nos dizem para esperar, mas não queremos esperar", lamentou na quarta-feira o motorista polonês Ezdrasz Szwajan no aeroporto de Manston, onde o governo britânico organizará testes de covid-19 em milhares de caminhoneiros.

"Dizem que teremos teste de covid, mas não há nada. Não temos nenhuma informação, nada", completou, emocionado. "Tenho dois filhos, uma mulher, só quero ir para a Polônia".

As festas de Ano Novo também sofrerão as consequências.

A cidade do Rio de Janeiro vai fechar o acesso à praia de Copacabana durante a noite do último dia do ano para evitar aglomerações diante do novo aumento de infecções da covid-19.

A tradicional festa com shows e fogos de artifício que atrai multidões à praia de Copacabana todos os anos já havia sido descartada devido ao vírus, que já deixou quase 25 mil mortos no estado do Rio.

Até o momento, Sydney ainda prevê receber 2021 com o famoso espetáculo de fogos de artifício. A primeira-ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, prometeu um show de sete minutos.

hr/arb/jac/at/bc/zm/fp/ic