Mundo tem dia de protestos contra tratados de livre comércio

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Manifestantes protestam contra o TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento), em Berlim, no dia 18 de abril de 2015

Centenas de manifestações ocorreram neste sábado, em todo o mundo, contra os tratados de livre comércio, em particular o que os Estados Unidos e União Europeia (UE) estão negociando.

O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês), cuja próxima rodada de negociações começará na segunda-feira, em Nova York, tem como objetivo suprimir as barreiras alfandegárias e regulatórias entre Estados Unidos e Europa.

Seus opositores temem que este tratado provoque uma desregulação generalizada e uma perda de poder dos governos.

A convocação deste sábado - lançada por um coletivo internacional de associações, ONGs, sindicatos e partidos políticos em 45 países - prevê cerca de 750 manifestações em todo o mundo.

Em Madri, milhares de manifestantes se reuniram pouco depois das 13H00 (Brasília), a poucos metros do central Museu do Prado, para protestar contra o TTIP, em um ambiente festivo.

Entre os participantes havia militantes do partido antiliberal Podemos, do movimento ecologista Equo, do Partido Comunista espanhol e de sindicatos de esquerda.

"A Europa tem muito o que perder. Vão perder garantias. Garantias na saúde e no consumo", declarou à AFP María Ángeles González, funcionária de 57 anos.

"Queremos que nos informem. Se isto é secreto é porque escondem algo", se indignava Fidel Gonzalo. "O Estado perderá todos os seus direitos e as multinacionais vão fazer as leis", lamentava.

Na Alemanha, onde o TTIP suscita calorosos debates, dezenas de milhares de pessoas se manifestavam neste sábado, em 230 protestos organizados em 170 cidades e povoados, segundo um porta-voz associação antiglobalização Attac.

Além do TTIP, a convocação convidava a protestar contra outros tratados de livre comércio, como o TISA, um acordo para liberalizar o comércio de serviços que envolve 23 países, incluindo os Estados Unidos e a UE.

Também se esperavam protestos em outros pontos da Europa, nos Estados Unidos, na América Latina (Brasil, Colômbia...), na África (Burkina Faso, Zimbábue...), no Paquistão e em Bangladesh.