Municípios ainda não sabem se vão seguir orientação de Pazuello e usar todas as doses das vacinas

Ana Leticia Leão, Giuliana de Toledo e Gustavo Schmitt
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SÃO PAULO E RIO — Em reunião com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) na manhã desta sexta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou que serão entregues 4,7 milhões de doses até o dia 28 de fevereiro e que todas as doses devem ser aplicadas, alterando a orientação do governo de reservar vacinas para segunda dose. No entanto, algumas prefeituras afirmaram que devem esperar ainda para fazer mudanças na estratégia.

A prefeitura de São Paulo e o governo estadual informaram que vão aguardar a publicação de uma norma técnica do Ministério da Saúde e a confirmação de que haverá vacina suficiente para todos antes de mudar o critério de vacinação e abrir mão de reservar a segunda dose das vacinas do Programa Nacional de Imunização.

Segundo informações do G1, seis capitais já suspenderam a aplicação da primeira dose por falta de vacinas: Salvador (BA), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) informou por e-mail que já vinha usando a reserva de segunda dose desde o início da campanha de vacinação. Mas que, no momento, tem apenas 77 mil doses ainda no estoque central destinadas à segunda dose, que já está sendo aplicada nos primeiros grupos vacinados em janeiro. Essas doses serão consumidas nos próximos dias.

"Para a redefinição e retomada do calendário, a SMS precisa ter a confirmação do número de novas doses a serem encaminhadas pelo Ministério da Saúde. Somente o grupo de 80 a 82 anos tem uma população estimada em mais de 100 mil pessoas" concluiu a nota.

A prefeitura de Cuiabá, que informou ter poucas doses em estoque (cerca de 150, que estamos usando para a vacinação dos idosos acamados a partir de 85 anos), confirmou que seguirá a nova orientação do Ministério da Saúde. Já a prefeitura de Florianópolis d que discutirá o assunto com o governo estadual. Já as secretarias de Saúde de Salvador e Curitiba não responderam aos questionamentos da reportagem.

O GLOBO apurou que a secretaria municipal de Saúde foi pega de surpresa com a notícia e só cogita adotar o novo critério de vacinação caso o Ministério da Saúde garanta o cronograma de envio da segunda dose à capital dentro do prazo de até 28 dias após a aplicação da primeira. A bula do imunizante preconiza a aplicação da segunda dose entre duas e quatro semanas.

O secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que espera uma chancela do Ministério da Saúde e da Anvisa. Segundo ele, tendo a confirmação, o estado pode usar os lotes da segunda dose que hoje estão reservados para acelerar a vacinação.

— Isso ajudaria que pudéssemos ampliar e acelerar a vacinação para todas as faixas etárias, incluindo os que têm comorbidades. Dessa forma, recebendo esses ofícios de liberação, de forma muito satisfatória, nós iniciaremos de forma muito mais célere para outras faixas etárias — disse.

O Coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo, João Gabbardo, disse que considera correta a posição do Ministério da Saúde.

— É uma questão bastante delicada. Não existe unanimidade nem mesmo internamente na nossa equipe, mas eu defendo a tese de que nós devemos vacinar mais rapidamente todas as pessoas com mais de 60 anos de idade e julgo que o risco de atrasar algumas semanas a segunda dose é muito menos prejudicial do que nós ficarmos com as vacinas guardadas e as pessoas morrendo por Covid — disse.

Colaborou Ana Paula Blower