Municípios da Baixada não pretendem reabrir barbearias, salões de beleza e academias, considerados essenciais por Bolsonaro

Geraldo Ribeiro
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No calçadão de Caxias, comércio fechado e patrulha para evitar descumprimento por parte de comerciantes

Considerados servidos essenciais por meio do decreto desta segunda-feira do presidente Jair Bolsonaro, as barbearias, salões de beleza e academias de ginástica localizadas em municípios da Baixada Fluminense deverão permanecer fechados. As prefeituras de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo já comunicaram que não vão aderi-lo. Nilópolis ainda não confirmou, mas já adiantou que deve manter tudo como está, ou seja, fechados. O decreto não se sobrepõe às regras estaduais e municipais, conforme deliberou o Supremo Tribunal Federal (STF).

O prefeito de Duque de Caxias divulgou um vídeo na manhã desta terça-feira no qual afirmava que a cidade não vai seguir a decisão do presidente. Ele disse que estendeu até o dia 31, o prazo do decreto municipal com as medidas de combate ao coronavírus na cidade, determinando fechamento do comércio, mantendo aberto apenas os serviços essenciais, aos quais não acrescentaria nenhum outro, além dos já definidos, como farmácias, supermercados e serviços de saúde, entre outros.

— Respondendo ao novo decreto presidencial, nós temos o nosso decreto aqui que foi estendido até o dia 31 de maio aonde nós vamos manter o fechamento do comércio e manter os serviços essenciais (abertos). Não vamos incluir mais nenhum (outro) tipo de serviço — disse.

Até esta segunda-feira, o município de Caxias registrava 1.526 casos suspeitos de Covid-19, 746 confirmados e 111 óbitos. A cidade registra o maior número de casos na Baixada Fluminense e é o segundo maior em mortes no estado.

A prefeitura de Belford Roxo também prorrogou para o dia 31 as medidas de combate ao coronavírus, que já vinha adotando e incluía a proibição de funcionamento de barbearias, salões de beleza e academias de ginástica. A cidade registra 282 confirmações de pacientes com a Covid-19 e 32 mortes.

Nova Iguaçu, que nesta segunda-feira ampliou as medidas de restrição com o fechamento do calçadão do Centro, também manterá estes estabelecimentos fechados. De acordo com dados da Secretaria estadual de Saúde, divulgados nesta segunda-feira, o município está com 668 casos confirmados e 68 mortes.

Em São João de Meriti o funcionamento desses estabelecimentos está proibido desde 16 de março e deve continuar assim. A prefeitura argumentou que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os prefeitos têm prerrogativa para legislar sobre o assunto. A cidade somava até esta segunda-feira 941 casos acompanhados com isolamento, 393 confirmados, 222 descartados, 35 com alta e 36 mortes.

A prefeitura de Nilópolis ainda não confirmou se vai aderir ao decreto do presidente, mas adiantou que a tendência é seguir a recomendação do governo do estado em não permitir a abertura desses estabelecimentos. Os números na cidade até esta segunda-feira somava 15 óbitos e 1.128 casos suspeitos.

O decreto presidencial permitindo a reabertura de barbearias, salões de beleza e academias de ginástica foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União que circulou na tarde de segunda-feira. Com essa inclusão, o número de atividades consideradas essenciais pelo governo federal chega a 57

A prefeitura de Duque de Caxias prorrogou até o dia 31 de maio as medidas de combate ao coronavírus, como restrições ao funcionamento do comércio, mantendo liberados apenas os serviços considerados essenciais, porém não consegue reduzir as aglomerações nas ruas. Ao contrário de Nova Iguaçu e Nilópolis, o município não bloqueou seu calçadão, onde na manhã desta terça-feira havia uma grande movimentação de pessoas.

Grande maioria dessas aglomerações se formavam desordenadamente nas portas dos bancos, cujo funcionamento é permitido. Mas, também havia gente nas praças, alguns praticando exercícios. No vídeo que divulgou pela manhã explicando porque não ia aderir ao decreto presidencial que permite a abertura de barbearias, salões de beleza e academias de ginástica, o prefeito Washington Reis defendeu o isolamento social, pedindo a população para ficar em casa. Ele também descartou a adoção de lockdown (fechamento total) por se tratar de um município de passagem para várias outras cidades vizinhas

— Tecnicamente é impossível de implementar um lockdown, então nós vamos manter como está, continuar fiscalizando e pedindo ao povo: "fique em casa porque os CTIs estão lotados" — apelou Washington Reis, que se curou da Covid-19 depois de passar 13 dias internado numa unidade privada no Rio.

No vídeo ele usava máscara de proteção. A falta de leitos é um dos principais problemas da cidade que até segunda-feira registrava 668 casos confirmados e 68 mortes pela Covid-19. Uma decisão da Justiça, baseada em ação do Ministério Público estadual (MPRJ) obriga estado e município a abrirem 73 leitos na cidade até 30 de maio e outros 91 até 15 de junho. O hospital de campanha que está sendo seguido ao lado do Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, com 200 leitos, sendo 40 de UTI foi prometido para o final de abril, mas agora o governo do estado fala em abertura ao longo do mês de maio, sem definir data.

O Hospital Municipal São José, aberto recentemente, com 128 leitos de UTI ainda não está funcionando em sua totalidade. Também faltam leitos na UPA Beira Mar e no Hospital Moacyr do Carmo.