Municípios em situação de emergência no Amazonas receberão ajuda humanitária

Bianca Paiva – Correspondente da Agência Brasil

Uma megaoperação envolvendo os três níveis de governo (federal, estadual e municipal) vai levar cerca de 500 toneladas em ajuda humanitária aos municípios amazonenses de Itamarati, Guajará, Ipixuna e Eirunepé, que estão em situação de emergência devido à cheia do Rio Juruá.

Governos federal, estadual e municipal vão levar 500 toneladas em ajuda humanitária a quatro municípios amazonenses                 Bianca  Paiva/Agência  Brasil

Quase 6 mil famílias foram afetadas pela enchente e vão receber mais de 360 mil kits de mantimentos, de limpeza e higiene, colchões, fraldas descartáveis infantis e geriátrica, galões de água, entre outros produtos.

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, esteve no Amazonas hoje (28) para anunciar o apoio à população.

“O governo federal está aqui, aliado ao governo do estado e às prefeituras dos municípios atingidos pela enchente do Juruá, para se solidarizar e garantir a minimização do sofrimento daqueles que estão sendo atingidos pelas enchentes dos rios dessa região do país", disse o ministro.

Ele informou que mais de R$ 9 milhões estão sendo entregues à Defesa Civil do estado para que as balsas que saíram nesta terça-feira possam, o mais rápido possível, levar ajuda aos municípios atingidos pela cheia.

Uma parte dos recursos, R$ 523 mil, foi destinada à operação de logística que vai possibilitar a chegada da ajuda humanitária aos quatro municípios afetados pela cheia. O dinheiro foi investido no aluguel de uma balsa, duas lanchas, um barco e de um caminhão e na contratação de uma tripulação especializada.

A Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), que também participa da operação, disponibilizou 10 mil unidades de hipoclorito de sódio para purificação da água, além de microscópios, termonebulizadores e pulverizadores de inseticidas para combate a endemias.

De acordo com o secretário executivo da Defesa Civil do Amazonas, coronel Fernando Pires Júnior, a ajuda humanitária foi antecipada pelo estado para atender as famílias da calha do Juruá. E já existe um planejamento para as outras calhas, caso a situação se agrave.

“Há um plano de contingência. O governo do estado, preocupado com a situação dos nossos ribeirinhos, já contingenciou cerca 6,4 mil toneladas de ajuda humanitária. A Defesa Civil do estado já está com os planos elaborados para que, a cada calha que for enchendo e transbordando, possamos atender rapidamente e preventivamente, e também para colocar na normalidade social a população ribeirinha atingida pela cheia de 2017”, disse o coronel.

O governador do Amazonas, José Melo, adiantou que a previsão é de uma grande cheia este ano no estado. “Pelas informações da meteorologia, continua chovendo muito na Amazônia peruana e na Amazônia colombiana. Essas águas todas virão para a calha do Solimões, que já está em alerta vermelho. Isso significa que vai entrar em situação emergência. O Solimões vem como uma cadeia, como se fosse uma onda, e influencia também no [Rio] Purus, no Madeira, no Içá e no Rio Negro. O indicativo é que haverá uma grande cheia, não só no Juruá, mas nos outros rios também”, ressaltou Melo.

Na próxima sexta-feira (31), o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) vai divulgar o primeiro boletim com a previsão oficial da cheia de 2017.

Atualmente, mais três municípios do leito do Juruá e sete do Solimões estão em situação de alerta. Mais sete municípios do Baixo Amazonas estão em situação de atenção para enchente.