Musa do verão! Cotada para protagonista da próxima novela das 9, Barbara Reis posa em ensaio exclusivo de biquíni e maiô

“Estou tomando chá verde e vou fazer drenagem linfática amanhã, pra desinchar e ficar bem para as fotos na segunda-feira”, avisa uma simpaticíssima Barbara Reis, em plena manhã de sábado, na entrevista por videochamada com a Canal Extra. Com carisma radiante, a atriz foi convidada para estrelar a nossa capa deste Especial Verão 2023 também por estar brilhando em “Todas as flores”, novela que teve uma primeira temporada lançada no Globoplay nos últimos meses de 2022 e que volta à plataforma em abril deste ano, com 40 novos capítulos. E, embora não confirme que o papel já seja dela, Barbara vem sendo apontada como a protagonista de “Terra vermelha”, trama de Walcyr Carrasco prevista para substituir “Travessia” no horário nobre da TV Globo.

— Fiz o teste, como outras atrizes fizeram, sei que fui muito bem, mas ainda não tive o resultado oficial. Como já tem tempo, estou achando até que subiu no telhado... Mas acho ótimo que estejam especulando, é melhor pra mim (risos) — desconversa a carioca de 33 anos, confirmando a expectativa pelo trabalho de destaque: — Ser a protagonista da novela das nove da Globo, com certeza, é um lugar muito sonhado, mas de pouca oportunidade. Até então, a única atriz preta que chegou a esse topo foi Taís Araujo, com uma das Helenas de Manoel Carlos. Mudarem a sinopse de “Terra vermelha” para dar espaço e voz a mais uma atriz preta representa muito. Eu agradeço demais a possibilidade de isso poder acontecer comigo. Segundo a Canal Extra andou “assuntando”, o papel é dela, sim! Aguardemos a confirmação oficial.

Enquanto isso, em “Todas as flores” — de João Emanuel Carneiro cujo título tem tudo a ver com outra estação, a primavera — Barbara está mais para espinho. Débora, sua personagem, é uma vilã fria na gerência de uma quadrilha de tráfico humano, mas muito quente em seu poder de sedução.

— Débora é espinhosa mesmo. Se a apertarem, ela espeta. Na segunda temporada, isso vai ficar ainda mais evidente. Está eletrizante — atiça, contando que os espectadores demoraram a entender a que veio Débora na história: — Parecia que ela era só uma mulher bonita, fazendo um jogo de sedução com Diego (Nicolas Prattes). As pessoas captaram quem ela realmente era quando Débora chegou para Humberto (Fabio Assunção), na Rhodes, e afirmou que queria colocar a empresa como fachada de lavagem de dinheiro. A partir daí, ela mostrou que é uma peça fundamental dentro da organização criminosa, que ainda conta com Sansa (Ângelo Antônio) e Zoé (Regina Casé).

Sempre muito bem maquiada e arrumada, Débora chama atenção pelos decotes e saltos altos, poderosos como ela. A atriz revela ter adotado novos hábitos e postura para se sentir mais confortável na pele da bandidaça.

— Comprei três sapatos de salto alto que eu conseguisse usar todos os dias para ganhar a postura da Débora. Normalmente, eu calço tênis, bota, coisas mais práticas. Também adquiri itens de maquiagem e passei a fazer as unhas com frequência. Eu só me produzia e ia à manicure em situações pontuais. Uso o básico: protetor solar com cor, blush e rímel. Aderi a sombra, delineador, iluminador... Tudo para construir em mim essa sensualidade da personagem. Queria sentir no meu dia a dia como é ser olhada neste lugar de destaque, de chamar atenção. E separei um dos meus perfumes, o Chloé Nomade, só para usar no set, na pele dela. É doce, marcante — detalha.

A imagem sexy “exigida” por Débora, inclusive em cenas de lingerie, ainda ajudou sua intérprete a superar um bloqueio que tinha com o próprio corpo, desde a infância. Ela conta:

— Apesar de saber que sou uma mulher bonita e sensual, não fico seduzindo o tempo inteiro na vida pessoal. Desde pequena, como a maioria das meninas, fui ensinada pela minha mãe e pelo meu pai a ter comportamentos que tolhiam a minha liberdade, tipo “senta de pernas fechadas”, “não deixa a calcinha aparecer”. Lembro que com meus 12 anos eu já tinha peitos e bunda aparentes, mas era uma menina ainda. E me escondia para que, nas ruas, nenhum homem mexesse comigo. Usava a camiseta larga do meu irmão e uma bermuda mais comprida para evitar o assédio. Eu tinha raiva disso! Já mulher, sempre evitei decotes profundos. Virou um estilo. Mas ouso numa ocasião ou outra em que escolho sair mais chamativa ou para um trabalho. Então, trazer isso para o meu cotidiano com a Débora rompeu uma barreira de uma vida.

Por saber que faria cenas em que seu corpo ficaria excessivamente exposto, ela também se preparou fisicamente. Como já tinha bons hábitos alimentares, caprichou nos exercícios físicos para ganhar massa muscular e ficar com os contornos mais definidos.

— Malhava três vezes por semana, passei para seis, com disciplina. Esse compromisso comigo me deixou mais confortável para encarnar uma femme fatale, com figurino justo, braços de fora... Não perdi peso, só troquei gordura por músculos. Continuo com os mesmos 80kg em 1,74m de altura. Não é um corpo magro. Quem me vê percebe que sou uma mulher grande, mas que treina — observa ela, que come arroz, feijão, legumes e proteína diariamente: — Comigo, não tem essa de só salada. Não tenho nenhum tipo de restrição, só evito pizza, que é minha paixão. Antes, comia todo fim de semana, agora é de 15 em 15 dias. Mas amanhã eu vou para um aniversário de criança, e amo bolo com recheio, confeitado. Vou comer! Eu não me privo de nada. Até porque sei que o que eu malho durante a semana me permite essas escapadas.

A autoestima e a aceitação do próprio corpo foram evoluindo com o passar dos anos.

— Eu sempre tive um complexo com meu corpo. Até hoje tenho um pouco. É um processo, uma conquista diária. Sempre fui uma mulher magra, mas no estilo da brasileira, com quadril largo. Então, de alguma forma, eu era rejeitada pela indústria da magreza. Quando adolescente, eu queria me enquadrar no padrão. Chegou uma época em que eu só usava calças, não queria mostrar minhas coxas grossas. Depois que a gente vira adulta e amadurece, percebe que é uma grande besteira, né? O importante é estar bem consigo mesma — reflete Barbara.

No mesmo período, a carioca passou a alisar o cabelo, naturalmente cacheado:

— Fiz alisamentos dos 14 aos 17 anos. Brinco dizendo que comecei a fazer transição capilar num tempo em que nem existia essa expressão. Comparando com as mulheres que hoje passam por esse processo com 20 e poucos, 30 anos, acho até que foi breve essa minha fase. Talvez por eu ter essa alma de artista, contestadora. Em algum momento eu me questionei: “Por que me enquadrar? Eu vou ser o que eu sou!”. Hoje em dia, se propõem fazer escova no meu cabelo, não aceito. Se for para ficar com um visual diferente, que penteiem um black power ou coloquem um aplique afro grande. Liso, não vai ser. A exceção é algum trabalho de época, com contexto, como “Os dias eram assim” (2017). A Shirley, de “Éramos seis” (2019), usava o cabelo preso, mas mantinha cacheado.

Para a Débora de “Todas as flores”, sua primeira personagem com alto poder aquisitivo, Barbara iluminou os fios. E precisou se acostumar com uma rotina de troca de figurinos e acessórios para as gravações, já que a todo-poderosa é exibida.

— Interpretar uma mulher preta e rica é muito bom, no sentido da representatividade. Por outro lado, a atriz sofre com o trabalhão que dá. Em termos diários de produção, eu prefiro fazer a pobre (risos), que não tem tanta roupa pra trocar, não tem que passar horas na cadeira da maquiagem e usando vários brincos, relógios... Isso tudo demora, não otimiza o nosso tempo — entrega, sempre bem-humorada.

Diferentemente de sua personagem, Bárbara Reis não tem vocábulo ostentação em seu dicionário. Cria do Méier, a atriz continua morando em apartamento alugado no bairro da Zona Norte do Rio, seu aparelho celular é de modelo antigo, e o carro, econômico, ela mantém há sete anos.

— Sou vintage em relação a telefone (risos). Meu iPhone é 8, já existe o 14. Mas me dá tudo o que eu preciso, que é falar, entrar em rede social, tirar foto. Semana passada, ele caiu no chão e ficou sem áudio. Achei que teria que comprar outro, mas o conserto deu um jeito, está vivinho. Não vou na onda da modinha, sabe? Todo mundo fala pra eu trocar de carro também... Pra quê? Ele anda, tem seguro e IPVA barato, não é chamariz para assalto. Ter paz e liberdade para ir e vir não tem preço — enfatiza ela, que se identifica como “atriz do Méier” na bio do Instagram e conta que, toda vez que olha para a tela de fundo de seu celular, relembra suas origens: — Tem uma foto minha quando criança. A do meu WhatsApp também. Pra eu nunca me esquecer que sou essa Barbara de hoje porque aquela um dia sonhou.

A mulher de hoje sonha ainda mais alto. Caso tivesse as malas de dinheiro que Débora carrega para cima e para baixo na novela, ou especificamente os 50 mil dólares que a criminosa ofereceu a Zoé pelo bebê de Maíra (Sophie Charlotte), a atriz investiria numa carreira internacional.

— Minha vontade é viajar. Poder passar seis meses em Los Angeles (nos EUA) estudando inglês e interpretação, sem me preocupar com dinheiro. Tenho o desejo, sim, de construir uma imagem profissional lá fora. A gente vê exemplos de brasileiros que deram certo, como Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Alice Braga... Antigamente, o sonho da maioria dos atores era ser protagonista de uma novela da Globo. Furamos essa bolha com a explosão os streamings. Quando o seu trabalho vai para uma plataforma dessas, como o Globoplay, ganha dimensão mundial — vislumbra.

Ensolarada

Você já viveu um amor de verão?

Já! No réveillon de 2015 para 2016, em Caraíva, na Bahia. Conheci um rapaz e ficamos juntos durante a viagem, foi ótimo! Depois, esse lance ainda rolou uns seis meses. Ele era de Brasília.

Um verão inesquecível?

Remete à minha infância. Meu pai tinha um amigo dono de um sítio em Bom Jardim, no interior do estado do Rio. Íamos muito pra lá nas férias escolares.

Praia ou piscina?

Praia, porque é um lugar de comunhão, de compartilhar momentos. Eu não vou à praia sozinha.

Nascer ou pôr do sol?

Pôr do sol, para assistir e agradecer depois de ter vivido vários bons momentos durante o dia.

Marquinha de biquíni ou protetor solar?

Bloqueador solar!

Sol na laje ou sombra?

Gosto mais da sombra, mas já tomei muito sol enquanto limpava o terraço lá de casa com biquíni.

Cervejinha ou água de coco?

As duas! Mas vou escolher cerveja, pra não acharem que sou light demais...

O que não pode faltar no nécessaire de verão?

Protetor solar, protetor labial e blush.

Música de verão?

Pagode e Natiruts, que tem a vibe boa.

Um lugar que lembre verão

Bahia, sempre!

Como é um dia de verão perfeito, na sua opinião?

Começa com sol e termina com uma chuvinha gostosa, só pra dar aquele susto. E ganha um arco-íris pra coroar.

Créditos do ensaio de fotos

Fotógrafa: Priscila Nicheli (@priscilanicheli_ph)

Produção executiva e de moda: Samantha Szczerb (@samantha_szczerb)

Beleza: Yago Maia (@yago_maia_)

Assistente de beleza: Igor Leite (@igorleitemua)

Vídeo: Theo Mota (@theomota)

Agradecimento: Novotel RJ Leme (@novotelrjleme)