Museu do Amanhã inaugura mostra sobre a Amazônia com folha gigante, utensílios indígenas, jogos e animação

·2 min de leitura

Esculturas de um pirarucu e de uma sucuri gigantes dão boas-vindas aos visitantes de “Fruturos — Tempos Amazônicos”, que abre hoje no Museu do Amanhã, na Praça Mauá. Uma celebração à Amazônia, a exposição traz registros sobre seus povos, sua biodiversidade e sua importância vital para o planeta através de jogos, animação e uma série de objetos, como utensílios indígenas.

Para montar a nova mostra, uma equipe liderada pelo curador Leonardo Menezes foi à Amazônia três vezes, a partir de 2017. Lá, o grupo teve contato estreito com populações ribeirinhas, comunidades indígenas, pesquisadores e artistas, como Alex Salvador, de Parintins, que criou as esculturas da entrada

— O Alex é um dos 50 profissionais da Amazônia, entre produtores, artesãos, pesquisadores e indígenas, que contratamos para receber o público. A ideia é trazer também o olhar das pessoas que vivem na Amazônia pra dentro do museu —diz Leonardo Menezes, curador de “Fruturos”, acrescentando que o projeto é um sonho antigo da equipe do museu.

O clima de imersão na selva começa, na verdade, ainda do lado de fora, onde réplicas de vitórias-régias ocupam os espelhos d’água que contornam o museu. Batizado como “Tempos Amazônicos”, o primeiro salão trata dos milhões de anos de formação da região. Ainda ali, o público vai se deparar com uma das estrelas da exposição: uma folha de 1,6m de coccoloba (Coccoloba gigantifolia), árvore nativa da Amazônia.

— A folha da coccoloba entrou no Guiness Book nos anos 1990 como a maior do mundo. A que está na mostra foi colhida este ano —diz o curador.

Adiante, a sala “Amazônia milenar” trata da diversidade dos povos da floresta. Nas paredes, nomes de mais de 70 línguas faladas na região — “algumas quase em extinção”, lembra Menezes —, como yanomami, sabané, marubo, arawá e apalaí. Instrumentos musicais, cestas e outros utensílios indígenas completam o espaço. Esta, aliás, é a mostra com maior quantidade de objetos — cerca de 50 — já exposta no museu, que tem DNA expositivo essencialmente digital e interativo.

Uma animação sobre o dia a dia das populações ribeirinhas que pode ser assistida debaixo de uma sumaúma, vitórias-régias que na verdade são pula-pulas e um jogo interativo sobre o manejo dos pirarucus são outros destaques.

Para o economista Sérgio Besserman, curador de sustentabilidade do Museu, não há como olhar para o futuro sem falar sobre a Amazônia.

— A Humanidade enfrenta dois imensos desafios globais: a crise climática e a de biodiversidade. A Amazônia está no coração dos dois — afirma Besserman. — Há muitas Amazônias. Há a Amazônia urbana; as questões econômicas, sociais e de governança; os impactos das mudanças climáticas; as culturas dos povos originais e povos tradicionais e as populações das periferias. E “Fruturos — Tempos Amazônicos” consegue apresentar esta complexidade.

Museu do Amanhã: Praça Mauá 1, Centro — 3812-1800. Qui a dom, das 10h às 17h. R$ 26. Ingressos somente pelo site eventim.com.br. Até junho de 2022.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos