Museu da 2ª Guerra corre risco de fechar

Museu da 2ª Guerra corre risco de fechar

“Um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial e filho de Santo André está em prantos”. Aos 50 anos, completados em outubro do ano passado, a Associação dos Ex-Combatentes do ABCDMRR corre o risco de fechar as portas por falta de verba. A triste frase é de seu presidente, Miguel Garofalo, 92 anos, ferido na tomada de Monte Castelo, na Itália, em 1944.

Localizada na Avenida Dom Jorge Marcos de Oliveira, 100, na Vila Guiomar, em Santo André, a sede da associação abriga museu e biblioteca sobre a Segunda Guerra Mundial. No local, é possível encontrar itens como uniformes brasileiros, norte-americanos e alemães, além de macas, baionetas, fogões de campana, caixa de primeiros socorros e munições de vários tipos. Do lado de fora, quem recebe os visitantes na Alameda Monte Castelo são canhões, um tanque e até mesmo um avião, todos com passagem pelo confronto.

Há 15 dias, porém, a associação está com as portas fechadas, como explica o filho de seu Miguel, Kiko Garofalo, 63. “Não temos condições de receber os estudantes. Apesar de não pagar aluguel, temos contas como luz, água, e os funcionários.” A entidade conta com um vigilante e um ajudante geral. Apenas para mantê-los, gasta quase R$ 3.000 mensalmente, fora os outros custos. A estimativa é que sejam necessários em torno de R$ 10 a R$ 15 mil por mês para manter a sede em pleno funcionamento.

A entidade não conta com nenhum tipo de ajuda financeira da Prefeitura, embora seja tombada pelo Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André), que reconheceu seu valor histórico em 1992. O imóvel que abriga a sede é uma concessão municipal, registrada em 1977.

Fundada em 6 de outubro de 1963 com objetivo de auxiliar os brasileiros que aqui ou na Itália serviram à Pátria durante a Segunda Guerra Mundial, a associação já contou com 530 associados, mas hoje tem apenas 65, entre ex-combatentes e suas viúvas. Por isso mesmo, a contribuição mensal minguou, o que levou a entidade à situação financeira atual. “O que buscamos são parceiros que possam ajudar todo mês. Empresas, poder público, não importa. Se não tivermos ajuda, vamos fechar as portas e o acervo corre o risco de ser leiloado”, afirma Kiko.

Procurada, a Prefeitura de Santo André destaca que a Secretaria de Relações Institucionais e Projetos Especiais tem ciência da importância do patrimônio histórico que a Associação dos Ex-Combatentes representa para a cidade e, por isso, dispõe-se a estudar uma forma de ajuda, possivelmente com a elaboração de um projeto que conte com apoio da iniciativa privada e a parceira do Consórcio Intermunicipal.

O Consórcio, por sua vez, destaca que não recebeu oficialmente nenhuma solicitação relativa à associação. A entidade lembra que decisões regionais são tomadas a partir de análise da assembleia mensal de prefeitos e que o tema também não foi encaminhado para debate do Grupo de Trabalho Cultura, ao qual está ligado o Grupo Temático História e Memória, fóruns responsáveis pela análise de demandas relativas a acervos históricos antes de sua inclusão em pauta da assembleia.

Brasil enviou 25.445 pracinhas ao conflito

A Segunda Guerra Mundial, maior confronto armado da história, começou em setembro de 1939 e colocou em combate os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) contra os Aliados, cerca de 50 nações, inclusive Inglaterra, União Soviética, Estados Unidos, França e Brasil, que entrou no conflito em 1942, sem ter seu território afetado.

Dos 25.445 brasileiros que foram à Itália, 451 morreram em combate e outros 2.772 ficaram feridos, incluindo Miguel Garofalo, hoje presidente da Associação dos Ex-combatentes do ABCDMRR. Outros 35 foram feitos prisioneiros e 16 desapareceram. A campanha do Brasil na Segunda Guerra Mundial é considerada vitoriosa, pois a FEB completou todas as missões que lhe foram confiadas, como reforço às tropas aliadas no país.

Em 8 de maio de 1945, a Alemanha foi derrotada, marcando o Dia da Vitória no continente europeu.

O Japão seria vencido em agosto do mesmo ano, assim terminando a guerra. A Itália já havia saído do conflito em 1943.