Museu do Ipiranga inicia cerimônia de reabertura após nove anos fechado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A abertura do Museu do Ipiranga, nesta terça-feira (6), para convidados reuniu cerca de 600 pessoas, entre patrocinadores, políticos e professores. Após nove anos fechada ao público, a instituição antecipou o evento, antes previsto para o 7 de Setembro, para evitar que manifestações políticas prejudicassem a celebração.

O evento desta terça foi marcado pela solenidade, uma visita livre pelo museu e apresentação da Orquestra Sinfônica da USP. Entre os presentes, estiveram Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo; Marcos Penido, secretário de Governo do Estado de São Paulo, Rosária Ono, diretora do museu; e o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior.

Emocionada, Ono, fez um aceno as mulheres em seu discurso e enumerou diversos postos que foram liderados por elas durante a obra. "Sou a única a estar nesse palco, mas represento outras que estiveram antes e ao meu lado durante essa jornada."

Em meio aos discursos, haverá a exibição de uma placa para marcar a reinauguração.

Devido à legislação eleitoral, políticos que são candidatos em outubro não vão comparecer ao evento —incluindo o governador Rodrigo Garcia (PSDB) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Já o ex-governador João Doria (PSDB), que comandou o estado durante a maior parte da reforma, deve discursar.

Na sequência, haverá apresentação da Osusp (Orquestra Sinfônica da USP), com peças como "Bachiana nº 7", composição de 1942 de Heitor Villa-Lobos. Por fim, todos poderão conhecer as novas exposições e participar de um coquetel.

Na quarta-feira (7), está programada uma inauguração simbólica para 200 estudantes de escolas públicas e trabalhadores que fizeram parte da reforma. No mesmo dia, acontece a abertura do parque, seguida da apresentação da DJ Luísa Biscardi, o balé de drones e a projeção mapeada na fachada do museu.

A partir das 19h, acontece a apresentação da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo e shows de nomes como Criolo, Margareth Menezes, Fafá de Belém, Gaby Amarantos, João Carlos Martins e Johnny Hooker.

O público em geral poderá visitar o museu a partir do dia 8. As visitas desta semana já estão esgotadas —os lotes semanais serão liberados sempre às segundas, às 10h, no site do museu.

O orçamento da reforma e da ampliação do museu alcançou R$ 235 milhões. Cerca de dois terços desse valor são oriundos da Lei Rouanet, e um terço vem de aportes do governo estadual, da USP e do patrocínio direto das empresas. Também foram gastos outros R$ 19 milhões no restauro do jardim francês, obra completamente custeada pela administração estadual.

O edifício-monumento, fundado em 1895 a partir de projeto do italiano radicado no Brasil Tommaso Gaudencio Bezzi (1844-1915), foi fechado em 3 de agosto de 2013, visando a segurança dos visitantes e dos funcionários. Em mau estado de conservação, o museu foi interditado após a queda de forros em algumas salas do edifício.

Em 2019, foram iniciadas as obras de ampliação, reforma e restauro assinadas pelo escritório H+F, dos arquitetos Eduardo Ferroni e Pablo Hereñu.

O Novo Museu do Ipiranga vai além do edifício-monumento. Há ainda a nova área construída, que fica à frente e abaixo da antiga construção, onde estarão duas amplas entradas para o museu, um auditório, um café e um salão para exposições temporárias, entre outras áreas; e o jardim francês, situado logo à frente deste novo pavimento.

"É um novo museu, é um projeto que nos orgulha muito. Nós não nos limitamos a restaurar o edifício e pronto", disse Leitão, secretário estadual de Cultura. "Quem conheceu antes, viu que era uma expressão e visão mais oficial e conservadora da história, sendo que agora tem uma história mais abrangente, democrática, inclusiva em relação ao acervo".

Ele criticou ainda a gestão Bolsonaro e afirmou que não recebeu ajuda suficiente do presidente. "O governo federal se ausentou do papel constitucional de promotor, incentivador e financiador da cultura", disse Leitão.

AS OBRAS DO MUSEU

Em fevereiro deste ano, a instituição terminou a recuperação de 7.600 m² de fachadas, ou seja, toda a parte externa do prédio. Já em abril, botou ponto final na restauração dos ambientes internos, que incluem saguão, salas de exposição e corredores.

Depois disso, foi realizada a montagem das exposições permanentes; a finalização dos equipamentos de modernização (elevadores, principalmente); e a instalação do aparato multimídia, que vai auxiliar os visitantes.

O museu vai exibir em torno de 3.700 itens –entre pinturas, esculturas, fotos, objetos, relíquias arqueológicas– divididas em 11 exposições. "Independência ou Morte", a controvertida pintura de Pedro Américo, integra a mostra "Uma História do Brasil", que compreende o hall, a escadaria principal e o salão nobre

Outro destaque é a maquete de gesso que representa a cidade de São Paulo em 1841, parte da exposição "Passados Imaginados".

No prédio, há 49 salas expositivas. A maior delas terá 900 m², tamanho equivalente ao de uma quadra esportiva —o cômodo está localizado na área ampliada da instituição ligada à USP, resultado de uma ampla escavação em frente ao prédio antigo, onde está a esplanada.

Esse espaço na área ampliada, no entanto, só estará aberto aos visitantes no início de novembro. A administração do museu aguarda a estabilização do novo sistema de climatização para levar as obras para o local.

Com duração de quatro meses, a exposição "Memórias da Independência" vai inaugurar esse espaço, que fica no setor oeste do museu, à direita de quem entra neste novo pavimento.

A mostra lembrará como o processo de emancipação do Brasil em relação a Portugal tem sido celebrado ao longo dos séculos 19, 20 e 21 em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

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MUSEU DO IPIRANGA

Quando: Ter. a dom., das 11h às 16h (horários válidos para o mês de setembro); a partir de 8/9

Onde: R. dos Patriotas, 100, São Paulo

Preço: Grátis até 6/11

Ingressos: Via agendamento a partir de 5/9, no site www.museudoipiranga.org.br

Acessibilidade: arquitetônica, audiodescrição e intérprete de Libras

PRINCIPAIS MOMENTOS DA HISTÓRIA DO MUSEU

- Inaugurado em 7 de setembro de 1895

- Foi integrado à Universidade de São Paulo em 1963

- Em 1998, foi tombado pelo Iphan

- O edifício foi fechado em agosto de 2013, visando à segurança dos visitantes e dos funcionários

- Ainda em agosto de 2013, foram iniciados os trabalhos de proteção do acervo

- Em novembro de 2016, começou o diagnóstico estrutural do edifício

- Em 2017, foi realizado concurso para definir o projeto de restauro

- Em novembro de 2019, começaram as obras da reforma

- Conclusão da restauração e das obras de ampliação em setembro de 2022