Museu Nacional já passa por obras, mas recuperar acervo será desafio: 85% das 20 milhões de peças se perderam em incêndio

·3 min de leitura

Começaram nesta sexta-feira, 12, as obras de restauração do Museu Nacional, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, três anos após o incêndio que destruiu o local. O plano de reforma divide o palácio histórico em quatro blocos. Adiadas, sobretudo por causa da pandemia de Covid-19, as primeiras obras vão recuperar as fachadas e o telhado do maior bloco, o número 1, que abrigava o acervo histórico em exposição na instituição.

Leia mais:

As intervenções nos outros três setores ainda estão em fase de projetos, que devem ser entregues no ano que vem e executados até 2024. As obras dentro do Paço e do prédio anexo Alípio Miranda de Melo devem ficar prontas entre 2025 e 2026. E estão previstas para 2022 a reforma e a ampliação da Biblioteca Central.

A intenção inicial era que as obras se iniciassem em 2019. Imprevistos relacionados ao processo de licitação, bem como aos estudos das características arquitetônicas do local, atrasaram o calendário. Em seguida, veio a pandemia.

— Tudo atrasou. Nosso resgate (de peças), por exemplo, já deveria ter terminado, mas ainda falta um pouquinho — explicou Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional.

O caminho para a restauração dos contornos originais do prédio é longo. Quem vai à Quinta da Boa Vista encontra a fachada do prédio ainda escondida por lonas e andaimes. Mas, segundo Keller, o maior desafio é recuperar o acervo: 85% das 20 milhões de peças que o instituto tinha foram perdidas no incêndio de 2 de setembro de 2018. Até a reabertura, serão recuperados entre 20 e 50 mil itens, estima o diretor. Apenas o Bendegó, o maior meteorito já catalogado no Brasil, ainda ocupa sua posição habitual dentro do palácio: o objeto resistiu às chamas e suas cinco toneladas impediram que fosse removido dali.

Veja também:

Previsão de reabertura para 2026

A intenção é que a restauração da parte frontal da construção seja finalizada até o feriado de 7 de setembro de 2022, quando o espaço deve sediar as comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil. Também está programada para a data a reinauguração do Jardim das Princesas, que sediou a plenária da primeira Assembleia Constituinte da República, em 1889. Até lá, serão restaurados vãos de portas e janelas, esquadrias, ferragens, gradis, alvenaria e outros detalhes do prédio, que já foi morada da família imperial. O projeto deve preservar o aspecto original da fachada do prédio bicentenário, e o novo telhado terá partes transparentes para privilegiar a iluminação natural.

Também está prevista a instalação de um sistema de combate e prevenção a incêndios. O processo de restauração do local ficará sob a responsabilidade da Associação Amigos do Museu Nacional.

A previsão é que a reabertura de todo o museu, com exposições para o público, só aconteça em 2026. Contudo, os próprios executores do plano de reconstrução — um grupo chamado Projeto Museu Nacional Vive, do qual fazem parte a UFRJ, a Unesco e o Instituto Cultural Vale — reconhecem que o desafio para cumprir o cronograma é a captação de recursos. Até agora, a UFRJ só angariou cerca de 65% do dinheiro necessário para a execução do projeto, estimado em R$ 380,5 milhões.

Desde 2018, o Museu Nacional recebeu R$ 244,8 milhões para sua reconstrução, dos quais R$ 23,6 milhões serão destinados às obras no bloco 1. Os recursos vieram de doações via Lei Rouanet, do Bradesco, da Vale e do BNDES — os três principais doadores privados, com R$ 50 milhões cada. O MEC também aportou cerca de R$ 18 milhões para intervenções emergenciais logo após o incêndio. Outros R$ 56,4 milhões vieram de emendas parlamentares e R$ 20 milhões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

— Fazemos um apelo às empresas, à sociedade brasileira, para que consigamos reunir o valor necessário — disse o vice-reitor da UFRJ, Carlos Frederico Leão Rocha, responsável pelo patrimônio da universidade.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos