Muzema, comunidade dominada pela milícia, virou paraíso das construções irregulares

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RIO - A Muzema, comunidade da Zona Oeste do Rio também alvo do projeto Cidade Integrada, do governo do estado, é dominada por milicianos que exploram a venda de TV a Cabo, botijões de gás e de construções irregulares. Em abril de 2019 dois prédios irregulares desabaram no local, deixando 24 moradores mortos.

A comunidade, cujo crescimento desenfreado se deu a partir da ocupação por grupos de milicianos, na década de 1990, surgiu nos anos 1970. Seus primeiros moradores eram trabalhadores, muitos vindos de outros estados para atuar nas construções que eram erguidas na Barra da Tijuca, que vivia o seu boom imobiliário na época.

O lugar começou a tomar forma quando parte do espelho d'água da Lagoa da Tijuca foi aterrado, fazendo surgir o primeiro loteamento irregular do lugar, que nos anos seguintes se transformaria num dos principais problemas da comunidade.

Cinquenta anos depois, as primeiras palafitas deram lugar a prédios construídos irregularmente por milicianos, como os dois que desbaram em 2019, e cujos preços dos apartamentos se aproximavam dos de áreas mais valorizadas da cidade.

Em muitas áreas da comunidade, a velha imagem de casas simples quase desapareceu. Enquanto se verticaliza, a paisagem é de uma selva de pedra, de verdadeiras favelas de prédios.

No último Censo, o IBGE apontou que a Muzema possuía 1.528 domicílios, com uma população de 4.503 habitantes. Mas, esse número pode ser muito maior uma vez que o levantamento foi feito há mais de uma década e o crescimento desordenado do local não foi freado pelas autoridades.

O entorno da Muzema, também segundo o Censo, a Favela do Cambalacho tinha 1.477 moradores; a do Angu Duro, 496 habitantes; a Tijuquinha, 5.837; o Sítio do Pai João, 2.520; e a Vila da Paz, 551. Esses números também podem ser bem maiores, hoje.

Uma das ações mais recentes da prefeitura do Rio para demolir construções irregulares na Muzema aconteceu no começo do mês. Na ocasião, uma força-tarefa composta pela Secretaria de Ordem Pública e pelo Ministério Público realizou uma operação de demolição de 12 estruturas construídas em áreas públicas.

Em setembro passado, a Polícia Civil realizou uma operação de combate a milicia que atua no local. Os alvos eram os envolvidos na construção e venda dos prédios que desabaram em 2019. Na ocasião, a polícia informou que um relatório da inteligência apontava que apenas dois investigados movimentaram juntos cerca de R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano, em trasações realizadas, em grande parte, com outro grupos paramilitares.

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