'Não à ditadura da realidade', clamam bolsonaristas em charge estampada na primeira página do Le Monde

Enquanto a tentativa de golpe de estado no Brasil por bolsonaristas repercute na mídia estrangeira, o jornal francês Le Monde exibiu em sua primeira página desta quarta-feira uma charge mostrando um grupo de vândalos, como os que atacaram as sedes dos três poderes em Brasília no último domingo, exclamando "não à ditadura da realidade", numa clara referência à dificuldade de aceitar o resultado das Eleições 2022 e ao hábito de propagar informações falsas. O desenho é assinado por Herrmann, cartunista suíço integrante da associação Cartooning for Peace.

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"Brasil em estado de choque após ato golpista de extrema-direita", diz o jornal numa manchete de capa. "Pelo menos 1.500 apoiadores do ex-presidente Bolsonaro foram presos na segunda-feira, após a depredação, na véspera, em Brasília, do STF, do palácio presidencial e do Congresso", acrescenta no resumo da notícia.

O editorial do Le Monde na segunda-feira referiu-se ao vandalismo nos prédios do Congresso, do Planalto do Supremo Tribunal Federal (STF) no DF como uma "ameaça à democracia brasileira" que "ilustra a pretensão dos populistas de tomarem para si o direito de falar em nome do povo e sua incapacidade de respeitar as regras democráticas".

A primeira página da edição desta quinta-feira, já revelada nas redes sociais do Le Monde, também traz uma charge sobre o ato terrorista em Brasília. Assinada pelo cartunista brasileiro Amorim, a sátira mostra o centro da bandeira nacional pegando fogo na Constituição, com as chamas cercadas por uma multidão que segura bandeiras.

A reportagem da próxima edição do jornal impresso aborda Brasil a investigação de conivência de policiais militares do Distrito Federal com os golpistas.

"Após o sequestro das principais instituições do Brasil, todos os olhares se voltam para as forças de segurança, cuja possibilidade durante a investida da extrema-direita do ex-presidente Jair Bolsonaro levanta dúvidas sobre sua lealdade ao Estado", afirma o resumo estampado na capa. "Nesse ínterim, vários policiais em exercício foram substituídos ou até presos, como o comandante da Polícia Militar em Brasília".

O presidente da França, Emmanuel Macron, prestou solidariedade ao Brasil após os ataques de domingo.

"A vontade do povo brasileiro e as instituições democráticas devem ser respeitadas! O Presidente @LulaOficial pode contar com o apoio incondicional da França", disse ele num post feito em português no Twitter.