'Não é só empurrar para as costas do Ministério', diz Queiroga sobre aquisição de medicamentos para intubação

Paula Ferreira
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BRASÍLIA— O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, alfinetou estados ao comentar sobre a escassez de medicamentos para intubação no país. Durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, Queiroga afirmou que também é responsabilidade das unidades da federação buscar esses insumos e não deixar apenas "nas costas do Ministério da Saúde".

Nesta quinta-feira, a pasta anunciou envio de 2,3 milhões de unidades de medicamentos utilizados para intução de pacientes aos estados. O quantitativo total foi doado por empresas. Segundo a pasta, os insumos devem chegar em até 48 horas nos destinos finais. A remessa é suficiente para manter o estoque por dez dias no caso de medicamentos como Cisatracúrio, Midazolam e Fentanil; e 15 dias para Propofol. A pasta não explicou, no entanto, se garantirá os estoques após esse período.

— Os estados também têm que procurar esses medicamentos, sobretudo grandes estados. Existem estados que têm economia maior do que de países, que têm condições de buscar esses insumos. Não é só empurrar isso para as costas do Ministério da Saúde, é uma atuação tripartite. Se instituições privadas buscam importações e trazem esses insumos para cá, por que grandes estados não fazem isso? Fica essa questão— afirmou Queiroga.

Estados de todo país têm relatado dificuldade para manter os estoques de medicamentos para intubação. Na quarta-feira, o governo de São Paulo afirmou que já havia encaminhado nove ofícios ao Ministério da Saúde para solicitar auxílio para compras do chamado kit intubação, mas não obteve resposta. O estado relatou que seus estoques estavam em níveis críticos. Questionado sobre o tema, o ministro afirmou que não basta enviar ofícios.

— Os medicamentos foram encaminhados de maneira tempestiva, inclusive atendendo ao governo do Estado de São Paulo e os demais em uma atribuição que os próprios governadores, sobretudo dos grandes estados, poderiam buscar, seja no mercado nacional ou internacional — argumentou o ministro. — Não adianta só ficar enviando ofício para o Ministério da Saúde, temos que trabalhar juntos, e os governadores sabem disso, que têm encontrado parceria contínua do Ministério da Saúde.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, afirmou que a demanda dos estados são tratadas semanalmente em uma reunião entre gestores municipais, estaduais e representantes do Ministério da Saúde. Cruz disse ainda que a distribuição é feita de acordo com critérios de "criticidade" dos municípios e estados naquele momento.

Nesta quinta-feira, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) divulgou um levantamento que mostra que 30% dos hospitais privados têm medicamentos do kit intubação para apenas cinco dias ou menos.