Não é só Flamengo x Internacional: Nova Iguaçu e Cabofriense também fazem duelo decisivo no fim de semana

Marcelo Antonio Ferreira
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Os holofotes do futebol estão voltados para Flamengo e Internacional, que se enfrentam domingo valendo título do Brasileirão para o Colorado, mas, em um plano menor, esse cenário se repete. A última rodada da Seletiva do Carioca, que ocorre neste sábado, às 15h30, coloca frente a frente os dois únicos times com chances de avançar à fase principal do Estadual: após nove rodadas, o Nova Iguaçu lidera com 22 pontos, porém, a Cabofriense, com 20, esboça um retorno após o rebaixamento do ano passado. O Sampaio Corrêa é o terceiro, com distantes 11 pontos. O clube da Baixada tem a vantagem de jogar em casa, no Estádio Jânio Moraes, e garante a classificação até com empate.

Com a vitória de 3 a 1 contra o Americano na última quarta-feira, o Nova Iguaçu manteve a boa campanha que tem feito na temporada, o que o técnico Carlos Vitor encara como retribuição ao esforço do elenco.

— A Cabofriense é uma equipe muito boa e bem preparada, mas todos nós temos nossos valores, e, do lado de cá, temos um trabalho muito bem feito. E nada mais justo do que duas equipes que tiveram performances muito boas estarem decidindo — diz o técnico, relembrando as dificuldades da temporada. — Diante da pandemia foi muito difícil, mas algo que é preponderante para a gente é o fato de o Nova Iguaçu ser um clube formador. O trabalho de base é algo que sustenta isso.

O outro lado também está confiante. Atual treinador da Cabofriense, Rogério Corrêa acredita que a equipe está no patamar dos clubes de elite.

— A gente vem de nove jogos seguidos, uma correria grande. Nesta última semana, tivemos uma vitória cansativa. Eles buscam o empate. Nós, a vitória. Fomos a única equipe que ganhou deles e sabemos da qualidade do jogo, mas estamos preparados. Sabemos que temos potencial — diz Corrêa. — São duas equipes preparadas para a fase principal e acredito que a Cabofriense está até um pouco à frente, por ter um nível de competitividade muito grande. Tenho convicção que vamos ter uma vitória e fazer uma campanha muito boa na Carioca. É uma equipe madura, com jogadores rodados, que não vão sentir a pressão de jogar uma decisiva.

O misto de jogadores já experientes com novatos é o fator que o presidente do Nova Iguaçu, Jânio Moraes, também vê como motivo de êxito e esperança para colocar o clube de volta à principal fase do Carioca, o que não ocorre desde 2018.

— Tivemos a sabedoria de escolher os caras que vão segurar a garotada. Uma espinha dorsal muito boa, com jogadores experientes os acolhendo. Nesse último jogo, teve um momento com quatro jogadores nascidos em 2001 (Éwerton Ronaldinho, João Pedro, Mezenga e Gabriel) no campo e um de 2002 (Ezequiel), que fez o terceiro gol, que foi golaço. Esses jovens precisam de orientação. Os mais cascudos (como Rafinha e Anderson Künzel, de 37 e 30 anos, respectivamente) podem intimidar a garotada, mas nosso elenco deu confiança — conta o presidente.

— Desde a B1, foram 34 jogos: somamos, até agora, três derrotas, seis empates e 25 vitórias. É uma campanha de se valorizar a confiança, mas sabemos que é um jogo difícil e estratégico. A Cabofriense deu uma boa resposta, foi bem na Série D.

O cenário desta final lembra, de certo modo, a Seletiva do Carioca de 2017, quando os dois clubes também se enfrentaram. Lá, o time da Região dos Lagos venceu na casa do rival, mas não ficou com a vaga pois, apesar de ambos marcarem oito pontos, o saldo positivo favoreceu o Nova Iguaçu.

— Acreditávamos que com 18 ou 19 pontos, teríamos a classificação garantida. Estamos com 22 e ainda não sabemos. Isso mostra o quão difícil foi a competição. Estamos vindo de uma B1, uma estrada mais longa. O Cabofriense pegou esses dez jogos, mas já tínhamos 25 antes, e é uma competição difícil esse “ante-jogo”, em campos que não correspondem e, mesmo sem torcida, é complicado. Não teve nada fácil, goleada de 6 a 1, 5 a 0, foi tudo equilibrado. Não tem nada fácil — diz Jânio Moraes.