'Não é um canetaço', diz Bolsonaro sobre limite no cheque especial

Daniel Gullino
Jair Bolsonaro elogia medida do Banco Central de limitar o juro do cheque especial

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a decisão de limitar os juros aplicados ao cheque especial em até 8% não foi um canetaço, porque foi decidida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ele voltou a elogiar a decisão e disse que o Brasil caminha para números "compatíveis com a taxa de juros". A decisão foi anunciada na última quarta-feira e passa a valer no dia 6 de janeiro de 2020.

— Acho que foi bom o anúncio dos juros, do cheque especial. Pedido do Banco Central, agora cada instituição financeira (vai ter que mostrar) quanto é o juro, para a gente mostrar que houve a redução. Não é um canetaço, foi decidido pelo CVM (CMN). O Brasil caminha nessa direção, os números passarem a ser compatíveis com a taxa de juros e com aquilo que estamos fazendo na economia — disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, confundindo o CMN com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de capitais.

O CMN é formado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes; o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelo secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Sua função é formular a política da moeda e do crédito.

A resolução do CMN também permite que os bancos cobrem uma tarifa mensal pela disponibilização do cheque especial. Hoje, não é cobrada taxa de quem não usa o serviço. Será possível onerar o cliente em até 0,25% do valor disponibilizado que exceder R$ 500. Isso significa que, para quem conta com um limite de até R$ 500, a tarifa não se aplica.

Com a mudança, o Banco Central espera que a taxa do cheque especial caia à metade, para cerca de 150% ao ano. Dados de outubro do próprio BC indicam que os juros dessa linha estão em cerca de 306% ao ano.