'Não aguento mais o que ele me fez', diz mulher mantida em hospital de cirurgião preso por cárcere privado

“Eu vou ter que procurar um psiquiatra porque (isso tudo) está mexendo com a minha cabeça. Eu só queria que me tirassem daqui pra outro médico me acompanhar porque eu não aguento mais. Eu não aguento mais o que esse homem fez comigo”. O desabafo acompanhado de choro é da vendedora Daiane Chaves Cavalcante, de 35 anos, que teria sido mantida em cárcere privado por dois meses no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, pelo cirurgião plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva, de 63 anos. A paciente, com quem a TV Globo conversou por telefone, teria procurado a unidade após um procedimento feito com o médico apresentar problemas. Bolívar Guerrero foi preso nesta segunda-feira (18) no centro cirúrgico da unidade.

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— Eu estou sentindo muita dor, muito cansaço. Estou aberta, sem ponto na parte de cima e embaixo eu estou cheia de ponto e com um vácuo. Eu estou fraquinha. Eu só queria que me tirasse daqui pra outro médico me acompanhar porque eu não aguento mais. Eu não aguento mais o que esse homem fez comigo. O meu peito está todo necrosado, está doendo — disse Daiane, chorando à TV Globo.

A paciente disse que está sem acompanhante no hospital e não tem conseguido se locomover.

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-- Eu não tenho acompanhante pra me ajudar. Estou deitada na cama porque não consigo me levantar sozinha. A acompanhante que estava comigo foi embora ontem e não voltou porque ela está com trauma dele. Eu vou ter que procurar um psiquiatra porque está mexendo com a minha cabeça — afirmou Daiane.

A família da vendedora disse que ela está em estado grave pelo procedimento estético.

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No dia da ação, que terminou com a prisão do médico, Daiane chegou a pedir à delegada Fernanda Fernandes, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias, que investiga o caso. “Doutora, pelo amor de Deus, me tira daqui”, disse ao ver os agentes no hospital.

Antes da prisão de Bolívar, os parentes da paciente conseguiram uma liminar na justiça para a transferência dela. Entretanto, a medida não foi cumprida. Agora, com uma nova determinação da Justiça, eles aguardam o local para onde ela será transferida.

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Em depoimento, Bolívar negou que mantinha a mulher em cárcere privado. Ele disse que Daiane estava recebendo todo o cuidado necessário e que ela não poderia receber alta médica. O médico destacou que ela estava com uma acompanhante e, por isso, não pode se configurar cárcere privado.

Pacientes denunciam erros em procedimentos

Mais mulheres que operaram com o cirurgião estiveram na Deam de Caxias para depor contra o médico nessa segunda e terça-feira. Elas afirmaram ter ficado em estado grave após procedimentos.

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Além de Bolivar, a técnica em enfermagem Kelen Cristina Queroz Santos, que auxiliava o médico na unidade de saúde, foi conduzida coercitivamente para a delegacia. Ela já responde por um inquérito que apura erro médico.

Preso temporariamente por lesão corporal grave, associação criminosa e cárcere privado de uma paciente no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o cirurgião plástico equatoriano Bolívar Guerrero Silva, de 63 anos, possui diversas condenações a pagamentos de indenizações por danos morais decorrentes de erros médicos. Nas ações, mulheres relatam danos estéticos causados por procedimentos realizados na mesma unidade de saúde particular, como queimaduras, cicatrizes e até buracos na pele.

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O médico foi levado para o presídio de Benfica na manhã desta terça-feira.

O GLOBO não conseguiu localizar as defesas de Bolívar e nem de Kelen.

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