Estelionatária presa no Recreio debochou de vítima em grupo no WhatsApp: ‘Não aguento mais pobre’

·3 minuto de leitura

RIO - As cinco mulheres presas na última semana acusadas defazerem parte de uma quadrilha de estelionatários tinham um grupo no WhatsApppara falar sobre os golpes. No “Apto 302 Recreio” elas trocavam informaçõessobre as vítimas, davam retorno sobre as ligações que faziam e sobre o saldobancário das vítimas. Algumas vezes, elas chegavam a ironizar o limite bancáriodaqueles que caíam no golpe ou mesmo de pessoas que desconfiavam da quadrilha. As jovens foram presas dentro de um apartamento noRecreio dos Bandeirantes – número 302 – onde segundo a Polícia Civil funcionavauma central de telemarketing usada pela quadrilha para aplicar os golpes.

Quando conseguiam obter os dados de uma vítima, asestelionatárias compartilhavam as informações no grupo de WhatsApp. Em umdiálogo obtido pelo GLOBO, Yasmin Navarro encaminha os dados de uma idosa de 82anos com baixo limite bancário. “Pobre”, escreveu a jovem em mensagem enviada. “Caroltá com azar”, emendou uma pessoa identificada como JN. “Não aguento mais pobre”,completou Yasmin.

Em outro diálogo, Yasmin compartilha as informações de maisuma vítima, uma idosa de 61 anos. “Caiu”, escreve ela no grupo. “Ela era muitodesconfiada. Quer falar com a gerente pelo chat. Desenrolada”, comenta.

As jovens também compartilhavam, no grupo, as dificuldades parafalar com vítimas pelo telefone. Em um diálogo, uma delas afirma que não estavaconseguindo fazer contato com os números que tinha, afirmando que muito estavamerrados. “Alguns nem chamam”, escreveu. “Muito número de empresa”, comentou umapessoa identificada como GS. “Falei pouco também”, disse Rayane Sousa.

Uma das integrantes do grupo incentiva as demais: “Mas tô sentindo que agora de tarde vai bombar”,escreveu. “Bora, meninas. Dinheiro pro FDS (fim de semana)”, disse Yasmin. “Chegame tremo”, comentou Rayane.

Desconfiança de vítimas

Em um trecho das conversas, as estelionatárias comentamsobre a desconfiança de algumas vítimas. Uma delas, identificada no telefonecomo GS, comenta com as demais que uma mulher argumentou que poderia bloquear ocartão bancário pelo aplicativo, sendo desnecessário fazer o procedimento queela estava recomendando.

Outra integrante do grupo responde que tinha acabado defalar com um homem que sabia do golpe aplicado por elas. “Ele disse: voudesligar, mas a minha linha vai ficar presa com vocês, aí alguém de vocês vaiatender e vai pedir a senha e vocês vão me passar a perna”, escreveu ela. Osdiálogos obtidos pelo GLOBO foram retirados pela polícia do celular de uma daspresas.

Yasmin Navarro, Anna Carolina de Sousa Santos, GabrielaSilva Vieira, Rayane Silva Sousa e Mariana Serrano de Oliveira foram presas em flagrantena última quarta-feira por policiais da 40ª DP (Honório Gurgel). Segundo asinvestigações, elas fazem parte de uma quadrilha especializada em aplicargolpes principalmente em pessoas idosas.

As estelionatárias ligam para as vítimas, fingindo serem dacental do banco delas, e informam que foi feita uma compra fraudulenta com seuscartões de crédito ou débito. As golpistas simulam um procedimento parabloqueio dos cartões no qual conseguem extrair os dados bancários das vítimas.Para a fraude ser finalizada, elas ainda conseguem que as pessoas entreguemseus cartões para motoboys que vão até os endereços das vítimas. Os motoqueirosfingem que foram enviados pelo banco e conseguem os cartões das vítimas.

A Polícia Civil investiga quantas vítimas o grupo fez. Umaplanilha encontrada no apartamento tem o nome de 10 mil pessoas que estavamsendo abordadas pelo grupo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos