'Não concedem asilo a um corrupto', afirma Correa à AFP

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(Arquivo) O ex-presidente equatoriano (2007-2017) Rafael Correa fala durante uma entrevista à AFP no bairro de Coyaocan, na Cidade do México (AFP/ALFREDO ESTRELLA) (ALFREDO ESTRELLA)
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O ex-presidente do Equador Rafael Correa afirmou nesta quinta-feira (28) que a obtenção do status de refugiado na Bélgica evidencia a sua inocência diante das acusações, e acrescentou que "não concedem asilo a um corrupto", em uma entrevista à AFP em Bruxelas.

Correa, que recebeu o benefício em 15 de abril, destacou que o asilo foi concedido "em marco da Convenção de Genebra de 1951 [Sobre o Estatuto dos Refugiados], que estabelece exaustivamente as razões. Não concedem asilo a um corrupto".

Por isso, acrescentou, "o simbólico, o fundamental do asilo, para mim, é que a Bélgica e a Europa estão dizendo [ao Equador]: 'Correa é um perseguido político, os corruptos sempre foram vocês.

O asilo belga aconteceu na mesma semana em que o presidente to Tribunal Nacional de Justiça do Equador assinou um novo pedido de extradição do ex-presidente, condenado em 2020 pelo crime de suborno.

Para Correa, tanto essa condenação, quanto o assédio legal a seus familiares, pretendem impedi-lo de retornar à atividade política no Equador.

"Não há Justiça no Equador. Tudo está corrompido, tudo está em decadência, há uma degradação total, e utilizam todos os projetos para me destruir. Eu sou o grande perigo para eles, um perigo para o sistema", afirmou.

A obtenção do status de refugiado na Bélgica torna distante qualquer possibilidade das autoridades decidirem entregá-lo para o Equador.

"Sempre me senti muito seguro na Bélgica, onde há um estado de direito", apontou.

Com sua condição de refugiado, Correa afirmou que tem total liberdade para viajar, menos para seu próprio país. "Se retorno para meu país, se ponho um pé ali, me prendem e não saio vivo da prisão. Não vamos nos enganar", acrescentou.

O ex-presidente equatoriano, que mora na Bélgica desde 2017, afirmou que não nutre expectativas de que as denuncias e os processos contra ele parem neste momento.

"Isso mudará quando ganharmos as eleições, que infelizmente perdemos em 2021, entre outras coisas (...) porque me impediram, com essas artimanhas, que voltasse a meu país", disse.

Ao ser perguntado se tinha expectativas de retornar à atividade política me seu país, Correa optou pela cautela: "Se para ganhar as eleições tenho que estar no país, terei que estar.Então, terei que ver qual é o papel que o destino prepara para mim", expressou.

O advogado belga Christophe Marchand, por sua parte, disse à AFP que não espera que o pedido equatoriano de extradição prospere.

O pedido "não será bem-sucedido. Não há antecedente ou precedente para a Bélgica extraditar ou iniciar um processo de extradição contra uma pessoa que tenha status de refugiado", disse o principal advogado de Correa.

As autoridades belgas, disse Marchand, "já tem toda as informações, porque é o mesmo estado belga que outorgou o estatuto de refugiado. Dessa forma, me parece que esse processo vai morrer, muito rápido".

ahg/mb/ap/mvv

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