Não dependo de quem votou a favor de Aécio para ter vida política, diz Doria

CAROLINA LINHARES
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.08.2019: Governador João Doria anuncia a criação do Centro para a 4ª Revolução Industrial do WEF Com a criação do centro em São Paulo. (Foto: Bruno Escolastico/Photo Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), minimizou nesta quinta (22) a derrota política que sofreu na véspera, quando a executiva nacional do PSDB rejeitou dois pedidos de expulsão do deputado Aécio neves (PSDB-MG). 

Doria, que defende a saída de Aécio e quer disputar a Presidência em 2022, disse que não depende politicamente daqueles que votaram a favor do mineiro na cúpula do partido. Foram 30 votos a favor de Aécio e apenas 4 contrários.  

"Fui eleito com mais de 13 milhões de votos, eu não dependo de 34 votos [na verdade 30] para ter vida política, e muito menos o Bruno Covas, que foi eleito comigo prefeito da capital de São Paulo", disse.

O prefeito de São Paulo, que busca a reeleição no ano que vem, também defende a saída de Aécio e chegou a dizer "ou eu ou ele", condicionando sua permanência no PSDB à expulsão do mineiro. Nesta quinta, ao falar com jornalistas ao lado de Doria, Covas deu a entender que não deve deixar a sigla por ora. Seu plano é insistir em tirar Aécio. 

"Perdemos a batalha, mas não perdemos a guerra. Continuamos a trabalhar para que ele possa sair do PSDB", disse. O diretório municipal do PSDB estuda recorrer ao diretório nacional, órgão com mais membros do que a executiva, para que o caso de Aécio seja levado a julgamento pelo Conselho de Ética do partido. 

Covas também cogita recorrer à Justiça. "Quero lamentar a decisão do PSDB, dizer que estou extremamente decepcionado com a decisão. O PSDB de Aécio definitivamente não é o meu PSDB", completou. 

Os pedidos de expulsão rejeitados pela executiva do PSDB nesta quarta (21) foram formulados pelos diretórios municipal e estadual de São Paulo, controlados por Covas e Doria, respectivamente. 

Relator e aliado do mineiro, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) apresentou parecer contrário à admissibilidade das representações. A maioria da executiva acompanhou o entendimento, travando a possibilidade de os casos avançarem para o Conselho de Ética do partido.

Se não encontrou respaldo em seu partido para a investida contra Aécio, Doria afirmou que está em sintonia com o povo brasileiro, "com aqueles que têm opinião próxima da nossa, de renovação, de decência, de modernidade e de honestidade". 

"Nosso compromisso é com a população brasileira, não com 34 [na verdade 30]... Respeitamos o voto dos 34 da executiva que foram favoráveis a Aécio Neves. Eles que respondam a opinião pública por que mantiveram Aécio Neves dentro do PSDB", completou. 

Presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo afirmou a decisão desta quarta é "definitiva". "O assunto Aécio Neves em relação aos fatos apresentados está encerrado", disse.

Aécio é investigado em uma série de inquéritos e se tornou réu, em abril de 2018, sob acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. O deputado ainda não foi julgado.

O deputado é réu no processo relativo ao episódio em que foi gravado, em março de 2017, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. Aécio nega a prática de crimes e diz que o dinheiro era um empréstimo pedido a Joesley.