'Não entendo nada de política', afirma Felipe Melo, volante do Palmeiras

Treino do Palmeiras

Felipe Melo, um dos jogadores que mais expressam sua opinião política no futebol brasileiro, disse não entender nada de política. Em entrevista ao "Estado de S. Paulo", o volante pediu para que no atual momento as ideologias sejam deixadas de lado no país para o enfrentamento da Covid-19.

O jogador de 36 anos está passando a quarentena ao lado da família na casa de praia em Paraty, no litoral sul do Rio. Com saudades dos jogos, dos companheiros de vestiário, dos treinamentos, mas não da concentração, Melo disse que tem se mantido distante do noticiário sobre o momento do país.

- Não acompanho, não vejo nada. A gente não vê notícias. Tem uma briga política tão grande, né cara? Eu não entendo nada de política. A minha prioridade é não deixar os meus filhos assustados. Minha prioridade é ajudar quem mais precisa. Só vejo televisão para ver futebol ou filme. Tem certas pessoas quando se assumem para direita, esquerda ou centrão, acabam tomando uma pedrada maior. Mas a verdade é que qualquer coisinha que eu faço já tomo pedrada. Então, uma pedrada a mais ou a menos...O momento não é de falar de política. O momento não é de saber se o cara que está no comando é o da esquerda ou da direita, se é homem ou mulher, se tem seis dedos no pé ou na mão. O importante agora é união, para acabarmos com essa guerra, com esse vírus que está levando tantas pessoas.

Felipe Melo é um dos jogadores de futebol que mais abertamente declaram apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Na entrevista, o volante pediu cautela no retorno das atividades do futebol por causa do novo coronavírus e elogiou a decisão do Palmeiras de reduzir o salário dos jogadores para não ter de demitir funcionários no período de redução de receitas. Segundo ele, foi covarde a atitude de outros clubes que optaram por cortar gastos dispensando pessoal:

- A gente tem visto situações de grandes clubes mandando embora funcionário que ganha R$ 1,5 mil. Isso é covardia! É covardia porque acaba com a vida de uma pessoa que tem anos de clube, que tem pessoas que são sustentadas por elas. De repente o cara chega dentro de casa aí e comete suicídio. Então, o Palmeiras foi cirúrgico nesse ponto. Teve tantos patrocinadores que correram e que saíram dos seus clubes e os nossos patrocinadores mantiveram seu posto, para que o Palmeiras pudesse manter seus funcionários. Isso é muito importante.