'Não existe qualquer recomendação de volta às escolas', diz Teich

Renata Mariz e Leandro Prazeres

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou em audiência no Senado nesta quarta-feira que não há recomendação de retorno das aulas nas escolas e ressaltou que a orientação original da pasta de manter o distanciamento social nunca foi mudada.

- Em relação à volta às escolas, estamos desenhando uma estratégia que vai ser feita e vai ter critérios, mas, neste momento, não existe qualquer recomendação de volta às escolas. Temos lugares diferentes no mundo que colocam a volta às escolas em diferentes pontos, mas hoje não tem recomendação de volta à escola - afirmou o ministro.

Teich foi cobrado duramente para que desse explicações mais claras sobre orientações a respeito de distanciamento social em meio à pandemia. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) questionou:

- Isolamento social: sim ou não? Se é por região, quais regiões têm e quais não têm? Está dúbio, está fazendo uma confusão enorme na cabeça das pessoas.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) pediu que o ministro apresente "protocolos oficiais". Ela citou uma declaração anterior de Teich na audiência de que a falta de informações sobre a doença leva a um "isolamento que radicaliza o distanciamento" porque "você não sabe o que fazer".

- Como você não sabe quem está contaminado, qual é o percentual, como aquilo transmite, qual a frequência, você faz o radical, que é o que se faz há cem anos: separa-se todo mundo - afirmou Teich, ao enfatizar os problemas da falta de dados.

A senadora, então, questionou:

- O senhor disse que isolamento é atitude de quem não sabe o que fazer. O senhor sabe o que fazer? Quais os protocolos oficiais para cada estado? Os governadores precisam de orientação, ministro.

Teich disse que o Ministério da Saúde nunca mudou a orientação original de manter o distanciamento e disse que mudanças sobre isso são de responsabilidade dos governadores.

- Essa orientação (de manter distanciamento social) vem sendo mantida e onde a gente está vendo uma alteração em relação a isso, é uma decisão dos governadores. Isso não é uma decisão nossa. Nossa orientação desde o começo é o distanciamento.

Ele disse que o Ministério da Saúde vai divulgar uma diretriz para que cada estado possa usá-la, considerando as variáveis que serão colocadas, para "seguir se quiser". E voltou a destacar que é a "decisão é dos estados e municípios".

Em seguida, o ministro mostrou preocupação com a saúde mental das pessoas que estão confinadas:

- Conforme esse isolamento for sendo mantido, vai haver um grande problema. Uma das discussões que temos hoje é qual vai ser o problema do confinamento na saúde mental das pessoas. Pode ser que as pessoas comecem a sair não por causa de uma determinação, mas porque terão dificuldades. Há famílias com muita gente vivendo em lugares muito pequenos.