Não existe receita eficaz para curar a ressaca, afirma estudo inédito

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Drunk people in a party (Rawpixel via Getty Images)

RIO — De consumo de café a aumento da ingestão de pães e biscoitos. Muitas são as fórmulas sugeridas para curar a ressaca. No entanto, novas pesquisas sugerem que não há evidência científica de que esses "remédios" realmente funcionem contra os efeitos do álcool após uma bebedeira.

Dor de cabeça, sensibilidade à luz e ao som, enjoo e vômito, mal estar geral são alguns dos sintomas mais comuns da ressaca. Nas festas de fim de ano, é comum que as pessoas exagerem na ingestão da bebida alcoólica e sofrem as consequências dos excessos.

Uma revisão sistemética, publicada na revista científica Addiction, analisou 21 estudos controlados por placebo envolvendo uma variedade de compostos diferentes que são freqüentemente usados para aliviar a ressaca. Usando uma ferramenta chamada estrutura de avaliação e desenvolvimento de avaliação de classificação de recomendações (GRADE, na sigla em inglês), os autores concluíram que todos esses ensaios eram de qualidade muito baixa e que as evidências que eles fornecem não poderiam ser consideradas robustas.

Isso não quer dizer que nenhuma das substâncias investigadas se mostrasse promissora como cura para a ressaca. Ao contrário, o extrato de cravo, o ginseng vermelho (um tipo de polivitamínico) e o suco de pêra coreano reduzem o desconforto pós bebedeira. Outros compostos que trouxeram melhorias incluíram um tipo de analgésico anti-inflamatório não esteroidal chamado ácido tolfenâmico, um análogo da vitamina B6 conhecido como piritinol e o aminoácido L-cisteína.

No entanto, os autores do estudo dizem que todos os ensaios incluídos em sua revisão foram prejudicados por “preocupações metodológicas e imprecisão” e que nenhum desses achados é particularmente confiável.

Por exemplo, a maioria desses ensaios envolveu um pequeno número de participantes, enquanto o fato de nenhuma dessas supostas curas para ressaca ter sido investigada em mais de um estudo torna impossível realizar qualquer tipo de meta-análise, pontuaram os pesquisadores.

Além disso, os estudos geralmente não relataram variáveis importantes como o tipo de álcool usado, se a bebida foi ou não ingerida com o estômago vazio e quanto tempo se passou antes que o remédio para ressaca fosse administrado.

A falta geral de representação feminina também diminui a confiabilidade de quaisquer achados, com oito dos 21 estudos envolvendo apenas homens. Dos 386 participantes em todos esses ensaios, apenas 38,6% eram mulheres.

Curiosamente, os autores do estudo apontam que analgésicos comuns como aspirina ou paracetamol nunca foram investigados como curas para ressaca em qualquer ensaio controlado por placebo. Com base nessas observações, eles clamam por "exploração científica adequada [de curas potenciais para ressaca] para que os profissionais e o público recebam informações precisas com base em evidências e não confiem em intervenções não eficazes ou potencialmente prejudiciais".

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