Não faz sentido brigar com a China para agradar os EUA, dizem empresários

BRUNA NARCIZO
·2 minuto de leitura
US National Security Advisor Robert O'Brien (L) and Brazilian President Jair Bolsonaro applaud during a meeting at Itamaraty Palace in Brasilia, on October 20, 2020. - The United States and Brazil signed three agreements Monday they said would expand and deepen their existing trade deal, the latest bonding moment under Presidents Donald Trump and Jair Bolsonaro. The new protocol adds chapters on facilitating trade, regulatory practices and anti-corruption measures. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Robert O'Brien, e o presidente Bolsonaro (Foto: Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A disputa global entre EUA e China para o fornecimento de equipamentos para as redes de 5G pode acabar afetando as relações comerciais brasileiras, segundo alguns dos principais empresários brasileiros.

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Os empresários ouvidos pela reportagem também se mostraram incomodados com a postura do governo federal diante da briga entre os dois principais parceiros comerciais do Brasil.

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A visita da delegação liderada pelo conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Robert O'Brien, acirrou ainda mais os ânimos.

O Ministério das Relações Exteriores da China chegou a afirmar, nesta terça-feira (20), que políticos dos Estados Unidos estão se "intrometendo" na cooperação econômica e comercial normal entre Brasil e China.

O assunto é tão delicado que até mesmo grandes figurões, donos das principais empresas brasileiras e figurinhas carimbadas nos cadernos de negócios da imprensa nacional, só toparam falar com a reportagem desde que seus nomes fossem mantidos em sigilo.

Um deles disse que não faz sentido brigar com o primeiro parceiro comercial do Brasil (a China) para agradar o segundo (os EUA) e que o Brasil não deveria se meter nessa briga, dado o peso do país asiático na economia brasileira.

Segundo eles, é um tema difícil de ser tratado com o governo porque ele já teria demonstrado uma certa tendência de apoiar os americanos. Ao mesmo tempo, os empresários também afirmam que o governo sabe os problemas que tomar um partido nessa briga pode causar.

Outro empresário se indigna com essa postura. Ele afirma que a escolha deve ser técnica, de acordo com a melhor tecnologia.

Uma empresária defende que ainda é prematuro falar em prejuízo para o Brasil. Em sua avaliação, por enquanto a tensão se limita ao nível das declarações -ainda não houve um fato concreto.

Ela diz ainda que a temática está sendo discutida no mundo inteiro e que é preciso esperar o dia 3 de novembro [data das eleições presidenciais nos EUA] para que essa definição ocorra. A depender do candidato eleito, a postura americana no tema pode mudar.

A delegação liderada pelo conselheiro de segurança nacional americano veio para o Brasil discutir uma agenda comercial, mas teve como principal objetivo pressionar o governo Bolsonaro a criar barreiras para a participação da empresa chinesa Huawei no futuro mercado de 5G nacional. A expectativa é que o leilão de frequência ocorra no ano que vem.

Os americanos usam o argumento que a empresa chinesa pode repassar informações sigilosas para o governo chinês e que isso poderia ameaçar a segurança de dados do Brasil e até a cooperação com os EUA.

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